quarta-feira, 24 de julho de 2013

Lição 4 – Jesus, o Modelo Ideal de Humildade




Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos
Tema: Filipenses - A Humildade de CRISTO como exemplo para a Igreja.
Comentário: Pr. Elienai Cabral
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto

Postagem no Blog AUXÍLIO AO MESTRE: Francisco A Barbosa.

Lição 4 – Jesus, o Modelo Ideal de Humildade
28 de julho de 2013

TEXTO ÁUREO
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus"
(Fp 2.5). – este versículo faz a conexão entre as exortações (vs 1-4) e o hino (vs 6-11). Abordando o orgulho que está na raiz da discórdia dos filipenses (1.27-2.4), Paulo aponta para Cristo como o exemplo supremo de humildade. Mas Cristo não é só um exemplo (Rm 15.1-3; 2Co 10.1). Ele é, antes de tudo, Senhor e Salvador (v 11;3.20)[nota textual Fp 2.5, Bíblia de Estudo Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. P. 1414].

VERDADE PRÁTICA
Jesus Cristo é o nosso modelo ideal de submissão, humildade e serviço.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 2.5-11

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·                     Conhecer o estado eterno da pré-encarnação de Cristo;
·                     Apreender o que a Bíblia ensina sobre o estado temporal de Cristo, e
·                     Compreender a exaltação final de Cristo.

PALAVRA-CHAVE
Humildade: Virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza. Modéstia, pobreza. (latim humilitas, -atis, pequenez, modéstia); s. f. 1. Qualidade de humilde; 2. Capacidade de reconhecer os próprios erros, defeitos ou limitações. = modéstia ≠ altivez, arrogância, orgulho; 3. Sentimento de inferioridade. = rebaixamento; 4. Demonstração de respeito, submissão. = deferência, reverência ≠ desrespeito; 5. Ausência de luxo ou sofisticação. = simplicidade, sobriedade ≠ ostentação; 6. Pobreza, penúria.

UNIÃO HIPOSTÁTICA
"[Do gr. hypostasis]  Doutrina que, exposta no Concílio de Calcedônia em 451, realça a perfeita e harmoniosa união entre as naturezas humana e divina de Cristo. Acentua este ensinamento ser Jesus, de fato, verdadeiro homem e verdadeiro Deus"
(Dicionário Teológico, p.352, CPAD).
Natureza Humana
Natureza Divina
"Embora o título 'Filho do Homem' apresente duas definições principais, são três as aplicações contextuais, no Novo Testamento. A primeira é o Filho do Homem no seu ministério terrestre. A segunda refere-se ao seu sofrimento futuro (como por Mc 13.24). Assim, atribuiu-se novo significado a uma terminologia existente dentro do Judaísmo. A terceira aplicação diz respeito ao Filho do Homem na sua glória futura (ver Mc 13.24, que aproveita diretamente toda a corrente profética que brotou do livro de Daniel). [...] Logo, Jesus é o Filho do Homem - passado, presente e futuro. [...] O fato de o Filho do Homem ser um homem literal é incomparável" (Teologia Sistemática:Uma Perspectiva Pentecostal, pp.312-13, CPAD).
"Os escritos joaninos dão bastante ênfase ao título 'Filho de Deus'. João 20.31 afirma de forma explícita que o propósito do evangelho é 'para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome'. Além do uso do próprio título, Jesus é chamado inúmeras vezes 'o Filho', sem acréscimo de outras qualificações. Há também mais de cem circunstâncias em que Jesus se dirige diretamente a Deus ou se refere a Ele como 'Pai' [...].
As afirmações: 'Eu sou' são exclusivas do evangelho de João. Elas, como afirmações de Jesus na primeira pessoa, formam uma parte relevante da auto revelação dEle ['Eu Sou' é a declaração da auto revelação divina (cf. Êx 3.14)]"(Teologia do Novo Testamento, pp.203, 205, CPAD).

COMENTÁRIO

introdução
Nesta lição, enfocaremos as atitudes de Cristo que revelam a sua natureza humana, obediência e humilhação, bem como a sua divindade - a kenosis (esvaziamento) de Jesus Cristo (Fp 2.5-11). Os primeiros cristãos da era apostólica viviam esse conceito de auto-esvaziamento (At 20.24; Gl 2.20). A principal verdade por trás deste conceito é a ideia de abandonar um estilo de vida egocêntrico para adotar um estilo de vida altruísta (2Co 5.15) o que na vida cristã genuína, é viver para Jesus Cristo e se doar em serviço aos irmãos, sendo dos dois o conceito de maior força o de viver para Cristo (que implica diretamente viver em serviço abnegado aos outros também). Logo, é um "abandonar os próprios interesses" para "buscar os interesses de Jesus Cristo e Seu reino eterno". Os primeiros cristãos absorveram tanto esse conceito, que chegaram a vender bens materiais e distribuir o arrecadado para os que tinham necessidade. Foi também por causa deste conceito enraizado no coração e na mente que muitos perderam suas vidas na pregação do evangelho, pois mesmo diante das ameaças de morte, não poderiam deixar de falar Daquele para quem eles viviam. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I. O FILHO DIVINO: O ESTADO ETERNO DA PRÉ-ENCARNAÇÃO (2.5,6)
1. Ele deu o maior exemplo de humildade. Na Epístola aos Filipenses, lemos: "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" (v.5). Paulo usa o exemplo de Cristo para impor um apelo ao altruísmo. Como Cristo deixou voluntariamente de lado sua glória celeste para vir ao mundo e morrer, devemos estar dispostos a olhar além de nossos interesses em nome dos outros. Embora o seu desejo seja fortalecer sua exortação em vez de estabelecer uma doutrina, Paulo apresenta em Fp 2.5 uma das maiores declarações do Novo Testamento em relação à pessoa e obra de Jesus Cristo.
2. Ele era igual a Deus. "Que, sendo em forma de Deus" (v.6). A palavra formarefere-se à realidade subjacente e não apenas à aparência; a referencia aqui não é à forma física de Cristo, mas à sua essência divina, uma qualidade que é imutável. Igual a Deus refere-se ao modelo da existência de Cristo. Cristo compartilhava as glórias e prerrogativas da divindade, mas não encarava as circunstancias de sua existência como algo a ser retido de forma ciumenta. Pelo contrário, ele desistiu voluntariamente de sua glória quando veio ao mundo, apesar de manter sua divindade. A existência de Jesus “em forma de Deus” significa que ele é divino: “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5); “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis” (2Co 8.9). Para trechos na Bíblia que tratam de Cristo assumindo a forma de servo, ver Mc 13.32; Lc 2.40-52; Rm 8.3; 2 Co 8.9; Hb 2.7,14. Embora permanecesse em tudo divino, Cristo tomou sobre si uma natureza humana com suas tentações, humilhações e fraquezas, porém sem pecado (vv. 7,8; Hb 4.15).
3. Mas "não teve por usurpação ser igual a Deus" (v.6). Isto significa que o Senhor não se apegou aos seus "direitos divinos". Isto não significa que Cristo tirou de si mesmo sua identidade como Deus. O significado da frase é que ele a si mesmo se humilhou, deixando seu status celestial, não seu ser divino. A natureza de seu esvaziar-se a si mesmo é definida nas três frases que se seguem: “assumindo... tornando-se... reconhecido”.
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Cristo é por natureza Deus, pois antes de fazer-se humano "subsistia em forma de Deus".

REFLEXÃO
“Jesus não trocou a natureza divina pela humana. Antes, voluntariamente, renunciou as prerrogativas inerentes à divindade, para assumir a nossa humanidade.” Elienai Cabral.

II. - O FILHO DO HOMEM: O ESTADO TEMPORAL DE CRISTO (2.7,8)
1. "Aniquilou-se a si mesmo" (2.7). A tradução de João Ferreira de Almeida Corrigida e Revisada traduz kenoo por "esvaziou", o que pode levar a doutrinas errôneas, por isso eu prefiro a tradução da King James Bible, já disponível em português: "fez a si mesmo de nenhuma reputação". Esta tradução casa com a explicação do próprio texto: Cristo não se importou com sua reputação, mas "esvaziou-se a si próprio" apenas no sentido de se fazer de nenhuma fama ao tomar a forma de servo (leia Fp 2.7). A Bíblia de Genebra traz a seguinte nota textual comentando Fp 2.7: ‘Cristo é verdadeiramente humano. “Semelhança” significa mais que similaridade. Para que pudesse morrer tinha que ser completamente humano. Ao mesmo tempo, Paulo faz uma distinção entre Cristo e outros seres humanos. Ao contrário desses, não tem pecado (2Co 5.21). E, com respeito à sua natureza divina, permanece transcendente sobre a realidade criada; não pode deixar de ser celestial mesmo em sua humilhação’ [nota textual Fp 2.7, Bíblia de Estudo Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. P. 1414]. Jesus sempre foi Deus pela sua própria natureza e igual ao Pai antes, durante e depois da sua permanência na terra (ver Jo 1.1; 8.58; 17.24; Cl 1.15,17; ver Mc 1.11; Jo 20.28). Cristo, no entanto, não se apegou aos seus direitos divinos, mas abriu mão dos seus privilégios e glória no céu, a fim de que nós, na terra, fôssemos salvos. O texto grego do qual foi traduzida a frase de Fp 2.7 diz literalmente que ele deixou de lado sua glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riquezas (2 Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o uso de prerrogativas divinas (Jo 5.19; 8.28; 14.10). Em seu comentário sobre esta passagem, Calvino raciocina assim: “Foi o próprio Filho de Deus que a si mesmo se esvaziou, embora só com referência a sua natureza humana.” Esse grande Reformador se utiliza da seguinte ilustração: “O homem é mortal.” Aqui a palavra “homem” se refere a homem mesmo, homem em sua inteireza, embora a mortalidade do homem diga respeito só ao corpo e nunca à alma. Não podemos ir além disso. Encontramo-nos ante um adorável mistério, um mistério de poder, de sabedoria e de amor!
2. Ele "humilhou-se a si mesmo" (2.8). A linguagem aqui é paralela à frase do versículo 7. Cada ato ocorre pelo livre exercício da vontade pessoal de Cristo. Esse "fez a si mesmo de nenhuma reputação" importava não somente em restrição voluntária dos seus atributos e privilégios divinos, mas também na aceitação do sofrimento, da incompreensão, dos maus tratos, do ódio e, finalmente, da morte de maldição na cruz (vv. 7,8). “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz ”. Cristo, o Nosso Exemplo. Na vinda do Filho de Deus, havia uma dupla descida: para assumir a natureza humana e para morrer a morte humana. Viveu e morreu humanamente. Não era uma morte comum, era a forma mais vergonhosa e dolorosa da morte — a morte na cruz. Quando o seu corpo foi deitado no túmulo, a descida do Filho do Homem ficou completa [Comentário Bíblico - Epístolas Paulinas - Myer Pearlman - CPAD - www.cpad.com.br - O Exemplo Inspirador de Cristo (Fp 2.5-11)].
3. Ele foi "obediente até a morte e morte de cruz" (2.8). O significado da submissão à vontade do Pai (Hb 10.5-9) é maior em se tratando daquele que é igual ao Pai (v. 6) do que de qualquer outra pessoa. As palavras de Paulo encerram toda a vida de obediência de Cristo, ao mesmo tempo em que acentuam sua morte como expressão suprema de obediência. A ênfase recai mais sobre a prontidão de Cristo para sofrer a mais vergonhosa das mortes do que sobre o significado expiatório do evento (confira Rm 3.21-26). A maneira como Jesus se humilhou, obedecendo como perfeito servo até o momento mais horrível da vida humana; a morte exemplifica a total dependência e reverencia que um ser absolutamente livre pode ter em relação a Deus. Jesus foi além, não apenas se entregando à morte, mas passando pelos sofrimentos físicos, emocionais e espirituais de ver sua criação submetê-lo ao mais cruel e humilhante dos aniquilamentos: a morte de cruz, como um criminoso amaldiçoado (2Co 8.9; Hb 5.7,8; Gl 3.13; Hb 12.2).
SINOPSE DO TÓPICO (II)
O crente como sal e  luz do mundo, representante do reino divino,  não pode permitir que atitudes mundanas destruam a família.

REFLEXÃO
“O valor do cristianismo está naquilo que se crê. A confissão de que Jesus é o ponto de convergência de toda a Igreja.” Elienai Cabral.

III. A EXALTAÇAO DE CRISTO (2.9-11)
1. "Deus o exaltou soberanamente" (2.9). . "Por isso, também Deus altamente lhe exaltou" Is 52.13; Jo 17.1; At 2.33; Hb 2.9 [huperupsoo; Strong 5251: De huper, “sobre”, e hupsoo, “levantar”. Portanto, a palavra sugere uma exaltação à posição mais alta, uma elevação acima de todos os outros. O contexto contrasta a humilhação com as honras resultantes. A obediência de Jesus à morte é seguida de uma posição superexaltada de honra e glória. Após a sua vitória final sobre o pecado e a morte, Jesus é finalmente exaltado pelo Pai. O ato do Pai é uma resposta direta à obediência de Cristo. A exaltação de Cristo é consequência de seu trabalho de redenção. Agora ele tem um estado de glória maior do que antes de sua encarnação. Cristo é restaurado ao glorioso status que tinha no começo, o qual, voluntariamente, deixara por um tempo para tornar-se um ser humano (Jo 16.28; Hb 2.9,14). Kurios, para ser exato, é adjetivo, com o significado de “ter poder [kuros] ou autoridade”, sendo usado como substantivo variadamente no Novo Testamento: “Senhor, mestre, dono, amo, proprietário”. O título Kurios como é dado ao Salvador, apoia-se em seu pleno significado na ressurreição (At 2.36; Rm 10.9; 14.9), e é percebido somente no Espírito Santo (1Co 12.3) [extraído de Notes on Thessalonians, de Hogg e Vine, p.25]. A exaltação de Cristo é absoluta; sua autoridade é universal.
2. Dobre-se todo joelho. Cristo será universalmente reconhecido como Senhor, por todos: “Por mim mesmo tenho jurado, já saiu da minha boca a palavra de justiça, e não tornará atrás; que diante de mim se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a língua”(Is 45.23); “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10.9-10); “E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Ap 5.13); “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém” (Ap 7.9-12); “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo. Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas”( Ap 14.6-7). Este reconhecimento da soberania de Cristo acontecerá “ao nome de Jesus se dobre todo o joelho ... e toda a língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus o Pai”, por todos os que “os que estão nos céus” [os anjos e os salvos, no 3º Céu, e os demônios, no 2º], “e na terra” [homens viventes, tanto salvos como perdidos], “e debaixo da terra” [os perdidos, no inferno].
3. "Toda língua confesse" (v.11). A ressurreição e exaltação de Deus é a resposta do Pai à sua obediência filial; é o verdadeiro “amém” de Deus ao “está consumado” do Filho. O Nome supremo é também o título: Kurios, termo usado na septuaginta para traduzir o nome hebraico de Deus, YHWH. Deus concedeu ao Filho, Jesus Cristo, o lugar supremo de autoridade e majestade à mão direita do Pai (Mt 28.18; Jo 17.2; At 2.33; Is 45.23; Ef 1.21; Hb 1.4,5).  Pela vontade soberana de Deus todas as pessoas do mundo, um dia, dobrarão seus Joelhos diante de Cristo, e o reconhecerão como Kurios, quer voluntariamente (como crentes salvos), quer não (Rm 14.9). “Os sábios observam que a palavra “confessar” significa “reconhecer aberta e alegremente, celebrar e louvar” (Thayer/Wycliffe). Este texto declarado maravilhosa e loquazmente é um grande ponto de reconhecimento para todos os que aprenderiam o poder de confissão de fé. Exaltar e honrar Jesus Cristo é nossa fonte de poder na aplicação da fé. O Pai honra primeiro a ele, depois também aqueles que confessam seu Filho (Jo 12.26). Todos os humanos, anjos e espíritos demoníacos por fim se ajoelharão diante de Jesus, homenageando-o completa e finalmente. Essa confissão de todas as línguas um dia será ouvida por todos os ouvidos quando ele receber o governo definitivo e pleno. Mas até esse dia, nossa confissão de Jesus Cristo como Senhor convida e recebe sua presença e poder sobre o mal toda vez que resistimos a ele. E quando declaramos sua autoridade – em fé – seu governo entra no cenário e circunstancias de hoje”. (1Co 11.23-26/Hb 4.11-13)[Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001, Dinâmica do Reino – Confissão de Fé; p. 1236].
SINOPSE DO TÓPICO (III)
Deus, o Pai, exaltou soberanamente o Filho fazendo-o Senhor e Rei. Haverá, pois, um dia que "todo joelho se dobrará" e "toda língua confessará" o senhorio de Cristo.

REFLEXÃO
“A auto-humilhação do Mestre foi espontânea. Ele submeteu-se às maiores afrontas, porém, jamais perdeu o foco da sua missão: cumprir toda a justiça para salvar a humanidade.” Elienai Cabral.

CONCLUSÃO

O tema tratado nessa lição é altamente teológico e requer do professor um preparo mais aprofundado. A Kenósis de Cristo [Do gr. kenós, vazio, oco, sem coisa alguma; termo usado para explicar o esvaziamento da glória de Cristo quando da sua encarnação. Ao fazer-se homem, renunciou Ele temporariamente a glória da divindade (Fp 2.1-6). O capítulo 53 de Isaías é a passagem que melhor retrata a kenósis de Cristo] é tema controverso e exige cuidado no momento de buscarmos as fontes de estudo, pois há teorias heréticas a esse respeito. O comentarista foi claro ao enfatizar que, o esvaziamento de Cristo foi, tão somente, de sua glória, em momento algum Jesus deixou de ser Deus. Paulo enfatiza como o Senhor Jesus deixou a glória incomparável do céu e humilhou-se como um servo, sendo obediente até à morte para o benefício dos outros (vv. 5-8). A humildade integral de Cristo deve existir nos seus seguidores, os quais foram chamados para viver com sacrifício e renúncia, cuidando dos outros e fazendo-lhes o bem. Abordando o orgulho que está na raiz da discórdia dos filipenses (1.27-2.4), Paulo aponta para Cristo como o exemplo supremo de humildade. Mas Cristo não é só um exemplo (Rm 15.1-3; 2Co 10.1). Ele é, antes de tudo, Senhor e Salvador (v 11;3.20).
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por me io da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco de Assis Barbosa

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Lição 3 – O COMPORTAMENTO DOS SALVOS EM CRISTO




TEXTO ÁUREO
"Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé no evangelho" (Fp 1.27).

VERDADE PRÁTICA
O Evangelho de Cristo produz em cada crente um comportamento digno e santo diante de Deus e do mundo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 1.27-30; 2.1-4

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·                     Compreender as características comportamentais de um cidadão do céu;
·                     Contextualizar o comportamento digno do crente ante uma posição oposta, e
·                     Promover a unidade da igreja.

PALAVRA-CHAVE
Comportamento: Conjunto de atitudes e reações do indivíduo em face do meio social.

COMENTÁRIO

introdução
Muitas são as circunstancias adversas que enfrentamos em nossa caminhada cristã. Os ataques surgem tanto de fora quanto de dentro da igreja. Hoje, veremos que Paulo conclama a igreja dos Filipenses a lutar pela unidade. Paulo desafia seus ouvintes a tornarem sua alegria completa. Para ele, a alegria completa é que a igreja, que é a comunidade redimida, viva a realidade do evangelho. Tenham todos uma excelente e abençoada aula.

I. O COMPORTAMENTO DOS CIDADÃOS DO CÉU (1.27)
1. O crente deve “portar-se dignamente”. O comentarista da lição, Pr Elienai Cabral, destacou a palavra “dignamente” como palavra-chave do texto de Fp 1.27, contudo, destaco uma outra palavra, “portai-vos”. Normalmente, essa palavra descreve a vida de uma pessoa como cidadão. A cidade de Filipos prezava por sua cidadania romana, mas Paulo relembra seus leitores de que a conduta mais importante é portar-se de modo adequando aos cidadãos do Reino de Deus.
2. Para que os outros vejam. Paulo conclama os crentes à unidade e exorta os leitores a não esmorecerem sob a pressão dos que se opõem; em vez disso, exorta a exercerem sua própria pressão, ou seja, proclamar o evangelho no qual eles têm crido e foram selados como a marca indelével feita pelo anel de selar de um rei, o Espírito Santo os marcou interiormente e essa marca os distingue como propriedade de Deus (Ef 1.13) e dessa forma, devem viver de modo digno do mesmo.
3. A autonomia da vida espiritual. Vimos na lição anterior que Paulo viveu um dilema, ele queria estar com Cristo, mas também desejava permanecer na terra por causa da igreja, contudo, sua estadia na carne não se estenderia por muito tempo, ainda que, ele esperasse por uma libertação. A igreja deveria estar pronta para continuar sem sua presença. Jesus e os apóstolos enfatizaram que o mundo em que vivemos é uma "geração incrédula e perversa" (Mt 17.17; cf. 12.39; At 2.40). O povo deste mundo tem mentalidade errada, valores distorcidos, critérios imorais de vida e rejeitam as normas e padrões da Palavra de Deus. Os filhos de Deus devem separar-se do mundo e ser inculpáveis, puros de coração e irrepreensíveis, a fim de proclamarem ao mundo perdido a gloriosa redenção em Cristo (Cf. 1 Jo 2.15). Paulo escreve para levar os membros da igreja a se esforçarem para conhecer melhor o Senhor, conservando a unidade, a humildade, a comunhão e a paz. Ele pretende que o amor dos filipenses resulte na capacidade de eles discernirem e escolherem o que moralmente é melhor. Como resultado, a vida deles será muito pura e eles impedirão os outros de tropeção. Eles eram alvo da oração de Paulo para que fossem “sinceros e sem escândalo algum” (1.10). "Sincero" significa "sem nenhuma mistura do mal"; "sem escândalo algum" significa "inculpável" diante de Deus e dos homens. Tal santidade deve ser o alvo supremo de todo crente, tendo em vista a iminente volta de Cristo. Somente com um amor abundante, derramado em nosso coração pelo Espírito Santo (Rm 5.5; cf. Tt 3.5,6) e com fidelidade total à Palavra de Deus, é que seremos "sinceros e sem escândalo algum até ao Dia de Cristo".
SINOPSE DO TÓPICO (I)
O comportamento de um cidadão do céu reflete a autonomia espiritual que o crente deve apresentar no relacionamento com o outro.

II. O COMPORTAMENTO ANTE A OPOSIÇÃO (1.28-30)
1. O ataque dos falsos obreiros. A igreja estava sob ataque pelo perigo dos falsos mestres (3.2). O judaísmo e o perfeccionismo atacavam a igreja. Paulo os chama de adversários (1.28), inimigos da cruz de Cristo (3.17). Ralph Martin diz que os mestres discutidos em Filipenses 3.12-14 são judeus. Eles se vangloriavam da circuncisão (3.2), a que Paulo replica com uma afirmação de que a igreja é o verdadeiro Israel (3.3).
2. O objetivo dos falsos obreiros. Eles se gloriavam na “carne”, cortada na execução do rito; Eles se orgulhavam de suas vantagens, especialmente de seu conhecimento de Deus. A justiça deles era baseada na lei (3.9); Os judeus buscavam e esperavam obter justiça; Esses falsos mestres viviam como inimigos da cruz – em seu comportamento, deificando seus apetites, honrando valores vergonhosos, só pensando nas coisas deste mundo (3.19).
3. Padecendo por Cristo. Paulo encoraja os crentes de Filipos com quatro afirmações: (a) a coragem deles face à oposição é um sinal do julgamento divino confrontando os perseguidores (2Ts 1.5-10); (b) tal coragem é também um sinal da própria salvação integral dos crentes, no sentido redentor (Rm 1.16; 13.11); (c) sofrer por Cristo é uma honra dada por Deus (3.10); (d) Paulo compartilha da luta deles e seu exemplo pode encorajá-los, assim como aos irmãos.
SINOPSE DO TÓPICO (II)
O cidadão do céu enfrentará ataques de cristãos não comprometidos com o Evangelho, por isso, ele deve estar cônscio que o seu chamado é o de padecer por Cristo.

III. PROMOVENDO A UNIDADE DA IGREJA (2.1-4)
1. O desejo de Paulo pela unidade. A desunião dos crentes era um pecado que atacava o coração da igreja. Era uma arma destruidora que estava roubando a eficácia da igreja diante do mundo. Ralph Martin diz que a igreja filipense sofria com problemas de presunção (2.3), de vaidosa superioridade (2.3), que induziam ao egoísmo (2.4), quebrando a koinonia, espírito de boa vontade para com a comunidade. Isso gerava pequenas disputas (4.2) e espírito de reclamação (2.14). Havia um espírito individualista e elitista em alguns membros da igreja de Filipos que colocava em risco a harmonia na igreja. Havia partidarismo e vanglória. Havia falta de comunhão entre os crentes. Problemas pessoais interferiam na unidade espiritual da igreja. Até mesmo duas irmãs, líderes da igreja, estavam em desacordo dentro dela (4.2). Nas duas principais ocasiões quando Paulo chama os crentes de Filipos à unidade (2.2; 4.2), ele introduz seu mandamento alertando os crentes sobre dois fatos ou verdades sobre a igreja. Em Filipenses 2.1, Paulo os relembra de que eles estão em Cristo, que o amor do Pai foi derramado sobre eles e que, pelo Espírito, a eles foi dado o dom da comunhão. É essa obra trinitariana que fez deles o que são. Viver em desarmonia, em vez de em união, é um pecado contra a obra e a Pessoa de Deus. Em Filipenses 4.1, não é acidentalmente que Paulo se dirige a eles duas vezes, chamando-os de “amados” e uma vez de “irmãos”. Antes de exortá-los à unidade, ele os relembra de sua posição: eles pertencem à mesma família (irmãos) em que o espírito vivificador é o verdadeiro amor (amados). À luz desses fatos, a desunião é uma ofensa abominável [Motyer, J. A. The message of Philippians, 1991: p. 19.].
2. O foco no outro como em si mesmo. “Farinha pouca, meu pirão primeiro” tem sido a tônica na sociedade e também na igreja. Depois de dar primazia a Cristo no capítulo 1, Paulo revela que o outro deve vir antes do eu. O amor não é egocentralizado, mas outrocentralizado. O segredo da unidade é sempre pôr o interesse dos outros na frente do nosso. No capítulo 2, Paulo cita quatro exemplos daqueles que pensam no outro antes de pensar no eu: Cristo, ele próprio, Timóteo e Epafrodito. O orgulho é competitivo por natureza e tenta elevar uma pessoa acima das outras, promovendo conflitos em lugar de harmonia. Já a humildade aceita um lugar de serviço, preocupando-se com necessidades e interesses dos outros. O amor é essencial à humildade (1.9; 1Co 13.4,5).
3. Não ao individualismo. Abordando o orgulho que está na raiz da discórdia dos filipenses (1.27-2.4), Paulo aponta para Cristo como exemplo supremo de humildade. Mas Cristo não é só um exemplo (Rm 15.1-3; 2Co 10.1). Ele é antes de tudo, Senhor e Salvador (v.11; 3.20). Temos que, os maiores inimigos da unidade cristã são: o egoísmo, a vaidade pessoal e o “complexo messiânico” (a falsa ideia de que determinada pessoa foi chamada por Deus para resolver os problemas do mundo, e que todos lhe devem plena obediência; qualquer oposição às suas determinações é considerada como ataque do inimigo). Considerar os outros “superiores a si mesmos” não significa desenvolver um sentimento de inferioridade, baixa autoestima ou pieguice, mas, sim, - por amor cristão – considerar o próximo digno de toda deferência e atendimento preferencial (Rm 12.10; 15.1; Gl 5.13; Ef 5.21; 1 Pe 5.5).
SINOPSE DO TÓPICO (III)
O cidadão do céu deve ter o foco no outro como o tem em si mesmo. Ali, não deve haver lugar para o individualismo.

CONCLUSÃO

A exortação de Paulo diz respeito à unidade dentro da igreja e apresenta quatro argumentos para a manutenção da unidade: (a) posição em Cristo e a responsabilidade nessa relação; (b) recursos de conforto e encorajamento, por causa do amor de Cristo;(c) a recompensada comunhão dentro do Corpo de Cristo; e (d) a oportunidade de se compadecer. Paulo não chamou a atenção para unidade à custa do compromisso com a verdade, mas deixou claro que sua própria alegria só seria completa se os crentes de Filipos tivessem um só pensamento. Paulo demonstra a importância dos relacionamentos que deve haver entre os irmãos, trazendo a visão dos efeitos que esta união vital dos membros traz à Igreja. A verdadeira essência da unidade do Espírito consiste em viver de modo digno (cf. Ef 4.1-3), permanecendo firme num só espírito e propósito (cf. Ef 4.3), combatendo lado a lado como guerreiros pela propagação e defesa do evangelho, segundo a revelação apostólica (v. 17; cf. Ef 4.13-15) e defendendo juntamente a verdade do evangelho contra aqueles que são "inimigos da cruz de Cristo" (3.18).
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por me io da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco de Assis Barbosa

terça-feira, 16 de julho de 2013

O Comportamento dos Salvos em Cristo - Luciano de Paula Lourenço


Texto Básico: Filipenses 1:27-30; 2:1-4
 
“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho”(Fp 1:27)
INTRODUÇÃO
Nesta aula trataremos acerca do comportamento dos cristãos. Uma vez que a pessoa convertida recebe a justificação por meio de Jesus Cristo, “deve andar como Ele andou” (1João 2:6). Isto será demonstrado através de sua conduta, do seu viver diário, independente das circunstâncias. A conduta do crente deve refletir a de uma pessoa transformada, que foi lapidada pelo poder do Espírito Santo. Somente por meio da Palavra de Deus é que iremos saber se o comportamento do crente é correto ou não. Somos exortados, pela Palavra de Deus, como deve ser a nossa conduta “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2:15). O crente deve manter um padrão exemplar de conduta, para que em tudo, Cristo venha a ser glorificado. A Palavra de Deus nos exorta a nos portarmos dignamente diante de Deus e dos homens - “Vivei, acima de tudo, por modo digno do Evangelho de Cristo” (Fp 1:27).
I. O COMPORTAMENTO DOS CIDADÃOS DO CÉU (Fp 1:27)
Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” (Fp 1:27).
Paulo escrevia de Roma, o centro do Império Romano. Foi o fato de ser cidadão romano que o conduziu à capital do império. Filipos era uma colônia romana, uma espécie de miniatura de Roma. Nas colônias romanas, os cidadãos jamais esqueciam que eram romanos: falavam o latim, usavam vestimentas latinas, davam a seus magistrados os títulos latinos. Desse modo, Paulo está dizendo aos crentes de Filipos que assim como eles valorizavam a cidadania romana, deveriam também valorizar, e ainda mais, a honrada posição que ocupavam como cidadãos do céu - “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20).
1. O crente deve “portar-se dignamente”. Os crentes de Filipos deviam viver como pessoas convertidas tanto dentro da igreja quanto fora, no mundo. A fé que abraçamos precisa moldar o nosso caráter. O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Juan Carlos Ortiz, diz que a vida do cristão é o quinto evangelho, a página da Bíblia que o povo mais lê. Precisamos viver de modo digno para não sermos causa de tropeço para os fracos. Precisamos viver de modo digno para não baratearmos o evangelho que abraçamos. Precisamos viver de modo digno para ganharmos outros com o nosso testemunho.
2. Para que os outros vejam. Neste texto de Fp 1:27, Paulo deixa transparecer sua preocupação com a unidade na Obra de Deus. Havia um pequeno foco de cizânia naquela igreja. A igreja de Filipos estava sendo atacada numa área vital, a quebra da comunhão (Fp 2:1-4; 4:1-3). Seus membros estavam fazendo a obra de Deus, mas divididos. Paulo os exorta a estarem firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica. Por isso ele escreve num tom de exortação: “…para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho“.
Não podemos ter nenhuma dúvida, todos aqueles que fazem a igreja local devem lutar juntos, não por modismos, doutrinas de homens, mas pela unidade da fé em Cristo Jesus, pela unidade doutrinária. A igreja não é apenas um amontoado de gente vivendo num parque de diversão, mas um grupo de atletas trabalhando juntos pelo mesmo objetivo. Paulo diz que os crentes devem trabalhar como atletas de um time, todos com a mente focada no mesmo alvo: o avanço do evangelho. A desunião trás escândalos à Obra de Deus, inibe o progresso do evangelho. Pense nisso!
II. O COMPORTAMENTO ANTE A OPOSIÇÃO (Fp 1:28-30)
E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus. Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer  por ele,  tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e, agora, ouvis estar em mim”.
1. O ataque dos falsos obreiros. Paulo havia enfrentado uma oposição severa em muitas cidades, incluindo Filipos. Se ele foi perseguido por causa de sua fé, os cristãos deveriam esperar o mesmo tratamento. Os inimigos do cristianismo incluíam o império romano, a população filipense pagã(a quem Paulo havia enfrentado - At 16:16-24) e falsos obreiros que haviam se infiltrado em muitos círculos cristãos e a quem Paulo censurou em muitas de sua cartas. A igreja precisaria ser forte dentro da comunhão, a fim de suportar as investidas dos inimigos da obra de Cristo. É triste perceber que muito tempo e esforço são perdidos em algumas igrejas, pelas brigas de umas pessoas contra as outras, em vez de se unirem contra a verdadeira oposição! É necessário que uma igreja corajosa resista à luta corpo a corpo e mantenha o propósito comum de servir a Cristo.
2. Padecendo por Cristo. “E em nada vos espanteis… Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele…”. A igreja de Filipos estava enfrentando uma ameaça interna (a quebra da comunhão) e uma ameaça externa (a perseguição). Paulo os exorta a trabalharem unidos e também a enfrentarem os adversários sem temor, sabendo que o padecimento por Cristo é uma graça (Fp 1:29), pois até mesmo a perseguição à igreja vem da parte de Deus. É bem verdade que somente pela fé, que vem pela graça, pode o sofrimento ser considerado um privilégio.
O rev. Hernandes Dias Lopes, citando Ralph Martin, diz que os planos de Deus incluem o sofrimento das igrejas (Fp 1:29), visto que a natureza da vocação cristã recebeu o seu modelo do próprio Senhor encarnado que sofreu e foi humilhado até à morte e morte de cruz (Fp 2:6-11). A vida da igreja deriva daquele que exemplificou o padrão do “morrer para viver”. Dessa forma, não há absolutamente nada incoerente, nem inconsistente, no “destino dos cristãos como comunidade perseguida, inserida em um mundo hostil” (Fp 2:15). Enquanto muitos pregam que a glória é a insígnia de todo cristão, Paulo afirma que a marca distintiva do crente é a cruz. O sofrimento por causa do evangelho não é acidental, mas um alto privilégio, nada menos do que um dom da graça de Deus! A cruz dignifica e enobrece.
III. PROMOVENDO A UNIDADE DA IGREJA (Fp 2:1-4)
Concordo com o rev. Hernandes Dias Lopes quando diz que  a unidade espiritual da igreja é uma obra exclusiva de Deus. Não podemos produzir unidade, mas apenas mantê-la. Todos aqueles que creem em Cristo, em qualquer lugar, em qualquer tempo, fazem parte da família de Deus e estão ligados ao corpo de Cristo pelo Espírito. Essa unidade não é externa, mas interna. Ela não é unidade denominacional, mas espiritual. Só existe um corpo de Cristo, uma Igreja, um rebanho, uma noiva. Todos aqueles que nasceram de novo e foram lavados no sangue do Cordeiro fazem parte dessa bendita família de Deus.
Essa unidade é construída sobre o fundamento da verdade. Fora da verdade, não há unidade (Ef 4:1-6). Por isso, a tendência ecumênica de unir todas as religiões, afirmando que a doutrina divide enquanto o amor une, é uma falácia.
Muitos cristãos fraquejam, ensarilham as armas e fogem do combate na hora da tribulação. Outros se distanciam não da obra, mas dos irmãos, e rompem a comunhão fraternal. Paulo os exorta a estarem juntos e firmes, lutando pela fé evangélica.
1. O desejo de Paulo pela unidade - “Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo  uma mesma coisa” (Fp 2:1,2).Paulo queria a unidade na Igreja filipenses para que eles pudessem dar continuidade ao ministério do Evangelho; mas tal unidade só seria possível se eles estivessem unidos a Cristo, para que houvesse relacionamentos harmoniosos entre os próprios crentes.
Os filipenses haviam dado a Paulo grande alegria (Fp 1:4). Contudo, Paulo estava ciente de uma falta de unidade na igreja filipense. Por exemplo, os crentes estavam demonstrando um falso senso de superioridade espiritual sobre os outros (Fp 2:3), e alguns não estavam trabalhando harmoniosamente com outros (Fp 4:2). Paulo sabia que até mesmo o inicio de uma divisão poderia causar grandes problemas, a menos que as “rachaduras” fossem consertadas rapidamente.
Por causa de sua experiência comum em Cristo e sua comunhão comum com o Espírito Santo, eles deveriam concordar sinceramente uns com os outros. Isto não significa que os crentes tenham que ter a mesma opinião em tudo; em vez disso, cada crente deve ter a mente (ou atitude) de Cristo, que Paulo descreve com detalhes em Fp 2:5-11.
Paulo também queria que os membros da Igreja estivessem amando uns aos outros. O amor de Cristo o trouxe do Céu, em uma situação humana humilde, para morrer em uma cruz em favor dos pecadores. Embora os crentes não possam fazer o que Cristo fez, eles seguem o exemplo de Cristo quando expressam o mesmo amor no seu trato com os outros (veja Gl 5:22).
O Espírito Santo deve unir os crentes em um só corpo. Quando eles permanecem firmes no Espírito, superam pequenas diferenças e trabalham vigorosamente em direção a um só propósito - um só objetivo (Fp 3:14,15). O objetivo da Igreja é anunciar o Evangelho.
Uma igreja unificada é uma fortaleza extraordinária contra qualquer inimigo. A própria unidade da igreja filipenses iria garantir que ela pudesse se opor a qualquer perseguição ou falsa doutrina que pudesse surgir em seu caminho.
2. O foco no outro como em si mesmo -” Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo“(Fp 2:3).
Os membros da igreja de Filipos estavam causando discórdia por suas atitudes ou ações. Eles desejavam reconhecimento e distinção, não por motivos puros, mas meramente por serem egoístas. As pessoas deste tipo não podem trabalhar com outras pessoas na igreja com o mesmo pensamento e amor (Fp 2:2). Quando as pessoas são egoístas e ambiciosas e tentam apenas causar uma boa impressão, elas destroem a unidade da igreja. Portanto, não se deve fazer absolutamente nada por ambição egoísta ou vanglória, uma vez que são dois dos maiores inimigos da união entre o povo de Deus.
Quando encontramos alguém desejoso de reunir um grupo em torno de si, a fim de promover os próprios interesses, ali encontramos as sementes da contenda e da porfia. O remédio está na ultima parte do versículo: “por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo“. Isso não quer dizer que devemos pensar que um criminoso pode ter um caráter melhor que o nosso, mas que devemos viver para os outros sem egoísmo algum, colocando os interesses dele acima dos nossos.
É fácil ler uma exortação dessas na palavra de Deus; absorver seu verdadeiro significado e pô-lo em prática é outra história. Considerar os outros superiores a nós mesmos é coisa estranha à nossa natureza, e não conseguiremos fazer isso por esforço próprio. Somente pelo Espírito Santo e fortalecido por ele podemos assumir tal atitude. Considerar os outros superiores a nós mesmos significa que estamos cientes dos nossos próprios defeitos e estamos, assim, dispostos a aceitar os defeitos nos outros sem menosprezá-los.
3. Não ao individualismo. Paulo ainda adverte: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros ”(Fp 2:4).
Ter interesse em proteger os interesses alheios faz parte dos alicerces da ética cristã. No mundo, cada um cuida primeiro de si, pensa somente em si, e seu olhar está atento apenas aos próprios interesses. Os interesses dos outros estão fora de seu verdadeiro campo de visão. Por isso, tampouco existe no mundo verdadeira comunhão, mas somente o medo recíproco e a ciumenta autodefesa contra o outro. Na irmandade da Igreja de Jesus, pode e deve ser diferente. Cada crente não deve ficar completamente absorvido pelo que é “propriamente seu”, mas deve também estar interessado nos “outros”, observando os seus pontos positivos e qualidades. Precisamos ter a mesma atitude de Cristo, que sacrificou a si mesmo, para que possamos olhar além de nós mesmos e enxergar as necessidades dos outros. É quando entregamos nossa vida em serviço dedicado aos outros que nos erguemos acima da luta egoísta dos homens.
CONCLUSÃO
“Abstende-vos de toda aparência do mal” (1Tes 5:22). A conduta certa, o modo de viver certo, o comportamento correto, tudo isso depende única e exclusivamente de uma submissão de nosso próprio ser ao senhorio de Jesus Cristo. Só assim, seremos capazes de praticar os princípios contidos em Sua Palavra. “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus (Ef 5:15,16).
——
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembleia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão - nº 55 - CPAD.
Comentário do Novo Testamento - Aplicação Pessoal.
Filipenses - A alegria triunfante no meio das provas - Rev. Hernandes Dias Lopes.
Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Poligamia e Casamento Gay


Recentemente minha atenção foi despertada para este assunto por um ativista gay que veio aqui no blog Tempora-Mores questionar minha afirmação de que o padrão bíblico é o casamento heterossexual e monogâmico. “Como assim?” questionou o sábio e entendido ativista (que se declarou ex-evangélico), “no Antigo Testamento temos a poligamia como modelo de casamento usado por homens como Abraão, Davi e Salomão, e o silêncio cúmplice de Deus sobre suas mulheres e concubinas”. E soltou sua conclusão, que da mesma forma que Deus no passado alterou o padrão de casamento, da monogamia para a poligamia, podia também em nossos dias alterar o casamento heterossexual para homoafetivo. Então, tá.

Como eu não havia antecipado este argumento no post sobre teologia gay, achei que deveria dar alguma atenção ao mesmo e escrever algo sobre poligamia. Aos fatos, então.
Encontramos no Antigo Testamento diversos exemplos de poligamia. Os mais conhecidos são estes: 
  • Lameque – duas esposas: Ada e Zilá (Gn 4.19).
  • Patriarca Abraão – três esposas: Sara, Agar, Quetura e várias concubinas (Gn 16.1-3; 25.1-6).
  • Esaú – três esposas: Judite, Basemate e Maalate (Gn 26.34-35 e 28.9).
  • Patriarca Jacó – duas esposas: Raquel e Lia, e duas concubinas: Bila e Zilpa (Gn 29.21-35).
  • Elcana – duas esposas: Ana e Penina (1Sm 1.1-2).
  • Juiz Gideão – muitas esposas e concubinas (Jz 8.30).
  • Rei Davi – oito esposas: Mical, Abigail, Ainoã, Maaca, Hagite, Abital, Eglá, Bate-seba e mais outras mulheres e concubinas (1Sm 25.40-43; 2Sm 3.2-5; 5.13; 2Cr 14.3).
  • Rei Salomão – a filha de Faraó, setecentas outras esposas e trezentas concubinas (1Rs 3.1; 11.1-3).
  • Rei Acabe – uma esposa: Jezabel e outras mulheres e concubinas (1Rs 16.31; 20.2-5).
  • Rei Abias – catorze mulheres (2Cr 13:21).
  • Rei Roboão – duas esposas: Maalate, Maaca, mais dezoito outras mulheres e sessenta concubinas (2Cr 11.21). 
  • Rei Joás – duas mulheres (2Cr 24.1-3).
  • Rei Joaquim – muitas mulheres (2Cr 24.15).
Estes fatos levantam várias perguntas, sendo a mais importante esta: Deus sancionou e aprovou estes casamentos poligâmicos? Se não, por que não há uma proibição clara da parte dele? Seu silêncio significa que o modelo de casamento pode variar com a cultura – monogâmico, heterossexual, poligâmico, homossexual – e que isto pouco importa para Deus? Em resposta ofereço os seguintes pontos como resultado do meu entendimento destes textos acima e de outros referentes à poligamia no Antigo e Novo Testamento.

1. Sem dúvida alguma, o padrão divino para o casamento sempre foi a monogamia heterossexual, isto é, um homem e uma mulher: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea... Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando- se os dois uma só carne” (Gn 2.18-25).

2. O desvio deste padrão ocorreu somente depois da queda de Adão e Eva (Gn 3), começando com Lameque, o assassino vingativo, filho de Caim (Gn 4). Depois dele, a poligamia foi praticada por diversos motivos. Entre os exemplos de poligamia no Antigo Testamento, encontramos alguns que eram políticos, ou seja, para selar tratados internacionais, como Salomão que se casou com a filha de Faraó (1Rs 3.1) e Acabe que casou com Jezabel, filha do rei dos sidônios (1Rs 16.31), além das mulheres que já tinham. Há outros casos em que o desejo de ter filhos e preservar a descendência parece ter motivado a aquisição de mais uma esposa ou concubina, no caso da esterilidade da primeira esposa, como foi o caso de Sarai ter trazido sua serva egípcia Agar para Abraão (Gn 16.1-4), costume praticado no Antigo Oriente. Provavelmente foi o mesmo caso de Elcana, casado com Ana (estéril) e depois com Penina (1Sm 1.1-2). Havia também o desejo de ter muitos filhos em caso de guerra (cf. Jz 8.30; 2Sm 3.2-5; 1Cr 7.4, 11.23, etc.). Nenhum destes casos, porém, justifica a poligamia, pois se trata de um desvio do padrão monogâmico. 

3. Apesar do surgimento da poligamia cedo na história de Israel, a monogamia continuou a regra entre os israelitas e a poligamia, a exceção. Abraão mandou seu servo conseguir uma esposa para seu filho Isaque (Gn 24.37). Na genealogia dos descendentes de Judá, de entre dezenas de nomes, apenas um é citado como tendo tido duas mulheres, Asur (1Cr 4.5). No livro de Provérbios encontramos o encorajamento ao casamento monogâmico (Pv. 5.15-20; 12.4; 19.14). A ode feita à mulher virtuosa em Provérbios 31 pressupõe que ela é a única esposa do marido felizardo. Mesmo que Cantares tenha sido escrito por um polígamo, que foi Salomão, transparece claramente dele que o casamento é entre um homem e uma mulher, figura da relação de Deus com seu povo Israel. A poligamia, por razões econômicas, acontecia quase que exclusivamente entre os ricos, como os juízes e reis.

4. Os profetas tomam o casamento monogâmico para ilustrar a relação entre Deus e seu povo Israel (Jr 2.1-2; Os 3.1-5; Is 54.1-8; Jr 3.20). O profeta Malaquias denuncia a prática que havia em seus dias dos judeus se separarem de sua esposa para casarem com estrangeiras, mostrando assim que a poligamia não era o padrão estabelecido e muito menos o padrão comum e normal em Israel (Ml 2.13-16).

5. A lei de Moisés trazia diversas restrições e cuidados quanto à poligamia em Israel. A mulher israelita que fosse comprada para ser a segunda esposa teria os mesmos direitos que a primeira e seus filhos seriam igualmente herdeiros (Ex 21.7-11). O filho primogênito, ainda que da esposa aborrecida, teria o direito de herança acima do filho da esposa amada (Dt 21.15-17). Um homem casado não poderia casar com a irmã da sua esposa, o que provocaria a rivalidade entre ambas (Lv 18.18; cf. Gn 30.1). 

6. Vários destes exemplos de famílias poligâmicas registrados no Antigo Testamento são acompanhados dos problemas que o sistema inevitavelmente causava. Os judeus casados com mulheres pagãs eram levados a adorar os deuses delas e assim pecar contra Deus. Havia uma advertência na lei de Moisés aos futuros reis de Israel contra a poligamia neste sentido: “Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie” (Dt 17.17), conselho este que não foi seguido por Salomão, cujas muitas mulheres pagãs o levaram à idolatria em sua velhice (1Rs 11.1-8). Foi assim que Neemias interpretou o episódio de Salomão e suas muitas mulheres, quando proibiu os judeus depois do cativeiro de multiplicar esposas pagãs (Ne 13.25-27).

7. Além do risco da apostasia, a poligamia trazia profundos conflitos nas famílias poligâmicas. Havia ciúmes entre as mulheres, que disputavam entre si o amor do marido e competiam em número de filhos (Gn 16.4; 1Sm 1.5-8; Gn 30.1-26). Podemos ainda mencionar a angústia que as mulheres pagãs de Esaú trouxeram a seus pais (Gn 26.34-35). O marido acabava gostando mais de uma que da outra, favorecendo a amada e desprezando sua rival e seus filhos (Gn 29.30; 1Sm 1.5; 2Cr 11.21), o que levou a lei de Moisés, para amenizar esta situação, a estabelecer a lei dos filhos da aborrecida (Dt 21.15-17). Outro problema trazido pela poligamia dos reis de Israel era a briga entre os filhos das diversas mulheres quanto à sucessão, muito bem exemplificada na sucessão de Davi, veja 1Reis 1. 

8. No Novo Testamento na época de Jesus a monogamia era claramente o padrão entre os judeus. Quando alguns fariseus vieram experimentar Jesus com uma pergunta capciosa sobre o divórcio, o Senhor respondeu tendo o casamento monogâmico como pressuposto comum e aceito: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19.3-19).

9. Nas igrejas cristãs entre os gentios, o padrão monogâmico estava já estabelecido, embora na sociedade grega a poligamia fosse conhecida e praticada. Escrevendo aos coríntios Paulo declara: “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” (1Co 7.1-2). Aos Efésios, ele compara a relação entre o marido e a esposa à própria relação entre Cristo e sua Igreja: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.22-33).

10. Paulo claramente proíbe que os líderes das igrejas gentílicas fossem polígamos ou bígamos. Os bispos/presbíteros tinham de ser “esposos de uma só mulher” (1Tm 3.2; Tt 1.3-5) bem como os diáconos (1Tm 3.12).

Portanto, não há dúvida, em meu entender, que o padrão de Deus sempre foi o casamento monogâmico heterossexual, estabelecido na criação, e que a poligamia do Antigo Testamento foi um desvio deste padrão, em decorrência do pecado que entrou no mundo pela queda de Adão. Em Cristo, Deus restaura o casamento à sua forma original.

Contudo, pode parecer que Deus aprovou ou sancionou a poligamia, considerando que a lei de Moisés trazia regulamentações referentes a ela e que não há uma proibição direta de Deus contra a poligamia. Pode ser que nunca venhamos a entender completamente o silêncio de Deus neste assunto, mas uma coisa é certa: ele não significa que o assunto é indiferente para o Senhor e nem que “quem cala consente”.

1. As regulamentações da lei de Moisés sobre a poligamia não podem ser vistas como uma aprovação tácita da parte de Deus quanto ao casamento poligâmico, uma vez que este nunca foi o padrão por ele estabelecido. Trata-se da misericórdia de Deus protegendo as esposas e filhos de casamentos poligâmicos, uma amenização de uma distorção do casamento até a chegada do Messias. 

2. Deus nos revela sua vontade de maneira gradual e progressiva nas Escrituras. No Antigo Testamento ele se revelou em figuras, tipos, promessas. A sua revelação final e definitiva se encontra no Novo Testamento. Antes de Cristo ele suportou sacrifícios de animais, passou leis referentes a comidas, o sistema de escravidão e levirato, o apedrejamento de determinados pecados, a lei de talião (olho por olho),  o divórcio por qualquer motivo, etc. A poligamia deve ser vista neste contexto, como uma das coisas que Deus suportou na antiga dispensação e que foi definitivamente abolida em Cristo, à semelhança de várias outras. 

3. A encarnação e manifestação de Cristo ao mundo trouxe à luz a verdade outrora oculta, agora revelada pelos apóstolos e profetas, que Cristo é o cabeça de sua igreja, um povo único, composto de pessoas de todas as raças, tribos e nações, como o homem é o cabeça da mulher. E que a relação de amor-submissão entre marido e mulher é uma expressão da relação amor-submissão entre Cristo e sua igreja. Portanto, a partir do evento de Cristo, Deus não mais tolera nem suporta a poligamia entre seu povo, como suportou pacientemente no período anterior à sua vinda, pois sua vontade quanto a isto é em Cristo e sua igreja plenamente revelada. Em Cristo restaura-se o padrão original estabelecido por Deus no jardim.

4. Deus pode demonstrar a sua vontade sobre um assunto simplesmente registrando os males associados a ele, como é o caso da poligamia. Apostasia, ciúmes, invejas, disputas entre mulheres e filhos acompanham o histórico da poligamia entre os israelitas. A evidência cumulativa depõe contra a poligamia, mesmo que Deus não tenha se pronunciado expressamente contra ela. 

5. Aqui é preciso dizer que a revelação divina se encerrou com o cânon do Novo Testamento, onde o casamento monogâmico é claramente estabelecido como a vontade final de Deus para seu povo e a humanidade em geral. Portanto, não podemos aceitar que Deus, em nossos dias, esteja mudando o conceito de casamento para incluir o casamento homossexual, uma vez que o homossexualismo é claramente condenado em toda a Escritura canônica e a mesma se encontra definitivamente encerrada. Sola Scriptura!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Lição 2 - Esperança em meio à adversidade




Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Filipenses — A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja
Comentarista: Elienai Cabral
Elaboração, pesquisa e postagem no Blog: Francisco A Barbosa,
Para a Escola Dominical da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande-PB.

LIÇÃO 2
Esperança em meio à adversidade
14 de Julho de 2013

TEXTO ÁUREO

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21). - Para o apóstolo Paulo, Cristo é a sua razão de existir.

VERDADE PRÁTICA

Nenhuma adversidade poderá reter a graça e o poder do Evangelho.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 1.12-21.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Saber que as adversidades podem contribuir para a expansão do Evangelho;
  • Explicar as motivações de Paulo para a pregação do Evangelho, e
  • Compreender que o significado da vida consiste em vivermos para o evangelho.


PALAVRA CHAVE
Adversidade: infelicidade, infortúnio, revés. Qualidade ou caráter adverso

COMENTÁRIO

introdução

A prisão de Paulo em Roma foi crucial para a propagação do Evangelho. Nesta lição, entenderemos as motivações que levaram o apóstolo a entregar-se inteiramente à sua missão, sem olhar para as adversidades, mas, usando-as como elemento propulsor, levou a mensagem das boas novas, e deixou boa parte dos escritos do Novo Testamento. Sem as adversidades pelas quais Paulo passou, nós não teríamos este tesouro! Hoje, temos a oportunidade de compreendermos porque as adversidades afligem os filhos de Deus. O maior perigo que qualquer um de nós enfrenta é o desanimo diante das dificuldades, como Paulo, então, diante desse inimigo, poderemos exclamar: “Porque sei que disto me resultará salvação” (1.19). Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I. ADVERSIDADE: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO
1. Paulo na prisão. O texto de Atos 2.30 e 31 afirma que Paulo permaneceu sob a custódia da guarda Pretoriana, prisioneiro por dois anos na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, pregando o Evangelho, com intrepidez e sem impedimento algum. Paulo soube, pelo poder do Espírito Santo em sua vida, transformar uma situação – aparentemente vexatória, humilhante e dolorosa – em grande testemunho e oportunidade para pregar o evangelho aos soldados e oficiais da famosa guarda pretoriana que, em Roma, somava um efetivo de mais de 9.000 homens. A Bíblia King James Atualizada publica em nota explicativa ao texto de At 28.31 (pág. 2151) que a tradição da Igreja registra que Paulo chegou a ser solto desse encarceramento. Paulo escreveu a várias igrejas com a expectativa de ser liberto a qualquer momento (Fp 2.24; Fm 22). Muitos detalhes nas cartas pastorais revelam que Paulo teve uma oportunidade de voltar à Ásia Menor, a Creta e à Grécia. A segunda epístola a Timóteo, por exemplo, fala de um ministério de Paulo não historiado no livro de Atos. E, por fim, alguns escritos tradicionais e respeitáveis da Igreja, como as cartas de Clemente (cerca de 95 d.C.) e o cânon Muratoriano (cerca de 170 d.C.), narram Paulo em plena atividade ministerial, na Espanha antes de sua morte pelas mãos de Nero (cerca de 67 d.C.).
2. Uma porta se abre através da adversidade. – Em vez de retardar a disseminação do evangelho, a prisão de Paulo lhe deu oportunidade para testemunhar, em especial entre a elite do exercito romano. Sua experiência também estimulou os outros a pregar com mais confiança, mesmo que alguns tivessem intenções erradas. Paulo não tem nenhum comentário sarcástico para essas pessoas, pois a doutrina deles está correta. Sua reação foi bastante diferente em relação aos agitadores referidos em Fp 3.

SINOPSE DO TÓPICO (I)

A prisão de Paulo foi uma porta aberta para a proclamação do Evangelho


II. O TESTEMUNHO DE PAULO NA ADVERSIDADE (1, 12, 13)
1. O poder do Evangelho. O termo “Evangelho”, designação preferida de Paulo para a sua mensagem, ocorre nove vezes em Filipenses (proporcionalmente, mais do que em qualquer outra carta). Paulo e os filipenses estão unidos pelo compromisso comum com o Evangelho. Confiar em Jesus, o Messias, dá a Paulo uma confiança que o leva a pregar confiadamente, sem temor (v. 14; Cl 1.26) e consolo que, longe de fazer com que necessite receber isso de outras pessoas, ele mesmo pode, de sua cela na prisão, fortalecer os irmãos que estão livres e consolar aqueles que se preocupam com ele tendo a certeza de que as boas-novas estão obtendo avanço, e que a sua própria situação é uma alegria.
2. A preocupação dos filipenses com Paulo. Em virtude da prisão de Paulo, o evangelho transitou irresistivelmente por toda a guarda do palácio e mesmo para além dela. A prisão de Paulo por pregar o evangelho tornou-se conhecida não somente dos soldados a serviço do imperador, mas também da casa imperial (cf. 4.22) onde Paulo se refere não aos familiares do imperador, mas sim, a todos os militares, serviçais e escravos que, por meio do testemunho do apóstolo, agora serviam ao Senhor Jesus - entre os mais chegados cooperadores estava Timóteo (1.1,13,14,16) - e, talvez, também da população romana. Não acredito que os filipenses temessem que a prisão de Paulo fosse prejudicial à causa cristã, também não vi nenhum outro comentarista afirmar isso, e o relato do que Deus estava fazendo através de Paulo na “Casa de Cézar” afastou de vez – caso houvesse esse temor – e deu ânimo aos filipenses para imitarem a sua entrega total à causa do Evangelho.
3. Paulo rejeita a autopiedade Paulo tem absoluta certeza da sua salvação (tradução literal da palavra ‘libertação’) eterna em Cristo (Rm 8.28) e fé em seu livramento da prisão, por meio das orações dos filipenses e da vontade do Espírito Santo (veja v. 25; 2.24). Ele esperava sair da prisão, mas não tinha certeza disso, mas de uma coisa ele estava certo: Deus o libertará pelos meios que tiver escolhido, quer humanos como divinos. Na teologia paulina, mesmo em momentos difíceis e de sofrimento, mesmo em amargas decepções, mesmo quando tratados de maneira errada, os crentes podem saber que Deus operará em meio a essas situações, para cumprir seu bom decreto em seus filhos. A situação pode ou não ser diretamente mudada por Deus, mas, mesmo que elas se tornem difíceis, Deus garante bons resultados definitivos, incluindo o amadurecimento do caráter daqueles que são chamados. Nesse pensamento, não há espaço para a autocomiseração, Deus está no controle!

SINOPSE DO TÓPICO (II)

O testemunho de Paulo na adversidade pode ser observado pela sua rejeição a autopiedade e a sua fé no poder do Evangelho


III. MOTIVAÇÕES PARA A PREGAÇÃO DO EVANGELHO (1.14-18)
Duas motivações predominavam nas igrejas da Ásia Menor onde o apóstolo Paulo atuava. São elas:
1. A motivação positiva. “De maneira que as minhas prisões em Cristo forammanifestas por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares” (v.13). O termo ‘manifestas’ (aberto à visão) sugere uma visibilidade que dá ao observador uma capacidade de definir imediatamente o que é visto. Aqui, Paulo declarou que a injustiça de sua prisão era patente aos olhos de todos. Muitos mestres cristãos reconheciam os verdadeiros motivos das perseguições, açoites e prisões de Paulo e pregavam o evangelho ainda com mais amor, lealdade e bravura.
2. A motivação negativa. Mas havia outros, que dando vazão à inveja que alimentavam contra o apóstolo, usavam estes fatos de forma fraudulenta e maldosa, com o propósito de destruir a reputação de Paulo e fazer prevalecer seus ensinos sobre Cristo, projetar suas próprias imagens e conquistar ambições meramente egoístas. Paulo usa a expressão grega ‘aumentar o sofrimento’, que significa literalmente ‘fricção’, numa figura de linguagem sugerida pelo ‘atrito’ das algemas em suas mãos e pés. Contudo, o apóstolo do Senhor não se deixava deprimir, pois sabia que a mensagem é sempre maior do que o mensageiro. Alegria é a palavra chave dessa carta de Paulo, aparecendo no texto mais de quinze vezes.

SINOPSE DO TÓPICO (III)

Infelizmente eram duas as motivações que predominavam na igreja de Filipos: (1) a positiva (pregação com destemor e coragem) e (2) a negativa (pregação pelo interesse pessoal).


IV. O DILEMA DE PAULO
1. Viver para Cristo. Para o apóstolo, Cristo é a sua razão de existir. Paulo não anseia pela morte, mas por uma presença mais próxima de Cristo que a morte trará. Enquanto isso, ele tem uma forte sensação de que deve permanecer entre eles para que eles cresçam e amadureçam na fé. A palavra partir também é usada para tirar pequenas estacas de barraca ou a âncora de um barco. Para Paulo, a morte significa apenas levantar acampamento e continuar, ou içar as velas para outro porto. Ao invés de desfazer a união que Paulo tem com Cristo, a morte vai introduzir Paulo em uma experiência mais profunda dessa união.
2. Paulo supera o dilema. Paulo quer estar com Cristo, mas também deseja permanecer na terra por causa da igreja. Este é o dilema. Contudo, a decisão está nas mãos de Deus! Eis a razão da entrega total de Paulo a missões! Paulo está confiante de que Deus tem mais trabalho para ele entre os filipenses (vs 24,25), então, a escolha de Paulo é permanecer vivo, “por amor de vós”, porque os filipenses precisam dele. Exatamente devido a sua fé, Paulo não ignora as necessidades deste mundo; embora reconheça os benefícios para si mesmo da vida eterna, ele escolhe permanecer na carne e ministrar a outros. “Estar com Cristo” esclarece sobre a natureza do estado intermediário (isto é, a condição da pessoa no período entre a morte física e a ressurreição).


SINOPSE DO TÓPICO (IV)

O dilema de Paulo era, imediatamente, “estar com Cristo” ou “viver na carne” para edificar os filipenses.


CONCLUSÃO
Paulo exorta os leitores a não esmorecerem sob a pressão dos que se opõem; em vez disso, exorta a exercerem sua própria pressão, ou seja, proclamar o evangelho no qual eles têm crido (Ef 1.13) e viver de modo digno do mesmo. Paulo encoraja os crentes de Filipos com quatro afirmações: (a) A coragem deles face à oposição é um sinal do julgamento divino confrontando os perseguidores (2Ts 1.5-10). (b) Tal coragem é também um sinal da própria salvação integral dos crentes, no sentido redentor (Rm 1.16; 13.11). (c) Sofrer por Cristo é uma honra dada por Deus (3.10). (d) Paulo compartilha da luta deles e seu exemplo pode encorajá-los, assim como aos ‘irmãos’ (v.14).

N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),

Campina Grande, PB
Julho de 2013,

Graça e Paz a todos os que estão em Cristo Jesus.

Francisco de Assis Barbosa