sábado, 12 de outubro de 2013

Lição 2: Advertências Contra o Adultério




Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Sabedoria de Deus para uma vida vitoriosa — A atualidade de Provérbios e Eclesiastes
Comentarista: José Gonçalves
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração e pesquisa para a Escola Dominical da Igreja de Cristo no Brasil, Campina Grande-PB; Postagem no Blog AUXÍLIO AO MESTRE: Francisco A Barbosa.

Lição 2: Advertências Contra o Adultério
13 de outubro de 2013
Trimestre comemorativo ao quarto ano do Blog Auxílio ao Mestre

TEXTO ÁUREO
“Bebe a água da tua cisterna e das correntes do teu poço. [...] Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade” (Pv 5.15,18).

VERDADE PRÁTICA
A melhor prevenção contra o adultério é temer ao Senhor e estreitar os laços do amor conjugal.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Provérbios 5.1-6
1 - Filho meu, atende à minha sabedoria: à minha razão inclina o teu ouvido;
2 - para que conserves os meus avisos, e os teus lábios guardem o conhecimento.
3 - Porque os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite;
4 - mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois fios.
5 - Os seus pés descem à morte; os seus passos firmam-se no inferno.
6 - Ela não pondera a vereda da vida; as suas carreiras são variáveis, e não as conhece.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
•          Conhecer os conselhos do sábio sobre a sexualidade humana;
•          Identificar as causas da infidelidade conjugal e suas consequências, e
•          Previnir-se da infidelidade conjugal.

PALAVRA-CHAVE
Adultério: Violação, transgressão da regra de fidelidade conjugal impostas aos cônjuges pelo contrato matrimonial.
COMENTÁRIO

introdução
O advento das mídias eletrônicas, e de forma mais específica as redes sociais, facilitou muito para a possibilidade de alguém vir a ter um “caso” extraconjugal. As estatísticas demonstram essa triste realidade. A cada dia, cresce o número de lares desfeitos e, juntamente com este fenômeno, as consequências nefastas para a sociedade. E as igrejas? Estas também têm sofrido o efeito de tais males. Apesar de a infidelidade conjugal ser uma prática pecaminosa antiga, é preciso entender que a sexualidade é algo intrínseco ao ser humano. Logo, o desejo por satisfação sexual acompanha tanto o homem como a mulher desde sempre. O problema está na forma de expressão do desejo e em como é satisfeito. Segundo o entendimento mundano, não há regras para o homem e a mulher viverem a sua sexualidade. No entanto, as Escrituras demarcam um limite bem preciso: o casamento legitimamente instituído por Deus. Aqui, encontraremos os conselhos da sabedoria bíblica para orientar-nos contra as ilusões e as artimanhas do adultério. [Comentário:  A infidelidade conjugal (adultério) na vida do cristão geralmente é resultado de uma associação de fatores, dentre os quais: acomodação com a vida espiritual (negligência na vida de oração e falta de vigilância), vida carnal, conflitos no casamento, etc. A Igreja é composta por pessoas que foram compradas por alto preço, separadas por Deus e para Deus, no entanto, composta por pessoas que ainda estão sujeitas a influencias do mundo de onde foram tiradas. Assim, a crise conjugal também tem chegado e se instalado dentro de algumas famílias cristãs, frequentadoras de templos, pessoas batizadas nas águas, supostamente conhecedoras da Bíblia Sagrada. As mídias sociais servem como ferramentas que facilitam o adultério, há sítios que trazem uma proposta inusitada: facilitar a traição conjugal. Um desses sítios o holandêsSecond Love Brasil, afirma já possuir cinquenta mil usuários cadastrados no Brasil – 70% são homens interessados em aventuras facilitadas pelos mecanismos próprios desses sítios. Outro sitio, o americano Ohhtel, é dedicado para os casais que estão cansados da rotina e incentiva os mesmos a praticarem o adultério. A sociedade atual faz chacota do matrimônio como Deus pensou para a humanidade e ao mesmo tempo, cria uma indústria de lucro com o adultério. A sociedade secular, numa concepção equivocada sobre o sexo, entronizou-o como meio condutor de salvação e transformação. Charles Colson e Nancy Pearcey observam que “o sexo é parte vital da ordem criada por Deus, compondo a sagrada aliança do casamento; nossa natureza sexual é um bom presente divino. Porém, para muitos pensadores modernos, a sexualidade tornou-se a base de uma cosmovisão inteira, a fonte de significado e cura, um meio de redenção. O sexo tem sido exaltado a ponto de nos elevar a nós mesmos para o próximo nível da evolução, criando um novo tipo de natureza humana e uma avançada civilização”, e que “a sexualidade está claramente sendo apresentada como mais do que uma mera gratificação ou deleite sensual. Não é nada menos que uma forma de redenção, um meio para curar a falha fundamental da natureza humana” (p. 294). Infelizmente, é comum confrontarmo-nos com o problema do divórcio entre membros em nossas igrejas ou recebemos questionamentos de alguns sobre este tema. É necessário termos a resposta certa, com base na Bíblia Sagrada. Respostas vazias de conteúdo bíblico não têm valor espiritual aos crentes sinceros, não trazem a solução satisfatória para um assunto tão delicado. Hoje, encontraremos os conselhos da sabedoria bíblica para orientar-nos contra as ilusões e as artimanhas do adultério]. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I - CONSELHOS SOBRE A SEXUALIDADE HUMANA
1. Uma dádiva divina. Boa parte dos conselhos de Salomão diz respeito à sexualidade humana. Ele dedicou quase três capítulos do livro de Provérbios para falar sobre o sexo e seus desvios (Pv 5.1-23; 6.20-35; 7.1-27). Nesses provérbios, há dezenas de máximas que nos ensinam muito sobre como estabelecer o parâmetro de um relacionamento saudável. Quando ainda discorria sobre os perigos da infidelidade conjugal, o sábio advertiu: “Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do Senhor, e ele aplana todas as suas carreiras” (Pv 5.21). Isto é, Deus considera os caminhos do homem e a forma deste conduzir até mesmo a sua sexualidade, pois se trata de uma criação divina e como tal é uma dádiva do Criador à humanidade. Se o Senhor “aplana todas as nossas carreiras”, demonstrando cuidado pelo exercício correto da sexualidade, concluímos não ser o sexo algo mau ou maligno, mas algo honroso e nobre (Hb 13.4; 1 Pe 3.7). [Comentário:  O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre a sexualidade. Nos Provérbios a sexualidade humana é uma dádiva divina. Uma boa parte dos conselhos de Salomão diz respeito a sexualidade humana e a sua forma correta de expressão. Assim sendo ele dedicou boa parte de três capítulos do seu livro para falar de uma forma profunda sobre o sexo e os desvios aos quais ele está sujeito (Pv 5.1-23; 6.20-35; 7.1-27; 9.13-18). Por outro lado, a sexualidade também é algo próprio do homem. Somos humanos e o sexo faz parte de nossa natureza humana e é por isso que estamos sujeitos à tentação! No céu não haverá necessidade da expressão sexual (Mt 22.30) por isso devemos buscar expressar nossa sexualidade com amor dentro dos limites estabelecidos pelo criador. O amor, que se alimenta e se exprime no encontro do homem e da mulher, é dom de Deus; é, por isso, força positiva, orientada à sua maturação enquanto pessoas; é também uma preciosa reserva para o dom de si que todos, homens e mulheres, são chamados a realizar para a sua própria realização e felicidade, num plano de vida que representa a vocação de todos. O ser humano, com efeito, é chamado ao amor como espírito encarnado, isto é, alma e corpo na unidade da pessoa. O amor humano abarca também o corpo e o corpo exprime também o amor espiritual. A sexualidade, portanto, não é qualquer coisa de puramente biológico, mas refere-se antes ao núcleo íntimo da pessoa. O uso da sexualidade como doação física tem a sua verdade e atinge o seu pleno significado quando é expressão da doação pessoal do homem e da mulher até à morte. Este amor está exposto, assim como toda a vida da pessoa, à fragilidade devida ao pecado original e ressente-se, em muitos contextos socioculturais, de condicionamentos negativos e, às vezes, desviantes e traumáticos].
2. Uma predisposição humana. Ao iniciar a sua coletânea de conselhos sobre como evitar os laços do adultério, Salomão chama a atenção do seu “filho” para que ouças os seus conselhos e aja em conformidade com estes (Pv 5.1,2). O texto hebraico de Provérbios, nesse versículo, apresenta a palavra ben traduzida em nossas Bíblias como “filho”. O mesmo termo ocorre também nas advertências contra o adultério em Provérbios 6.20 e 7.1. A palavra ben pode se referir tanto a um filho biológico quanto a um discípulo. Em todos os casos, a admoestação é dirigida a um ser humano que, como todos nós, está sujeito à tentação! Portanto, a fim de vivermos o gozo da nossa sexualidade nos parâmetros estabelecidos pelo Criador, que é o casamento, ouçamos o conselho do sábio. O sexo, portanto, foi criado por Deus para ser praticado entre um homem e uma mulher, mas somente no casamento. Antes do casamento e fora do casamento é pecado.[Comentário:  O pai-professor apela para que o filho não se desvie de suas palavras, mas se afaste do caminho da adúltera. As tentações da adúltera devem ser evitadas com a força da sabedoria, que ordena ao homem a nem se aproximar de sua casa. Aproximar-se da adúltera resulta na perda da honra (v.9) e da saúde (v. 11) e em miséria e ruína (Vs. 12-14). Há inúmeras razões porque o crente não se deve envolver com tais práticas.  Não se esquecendo que a intenção tem peso semelhante à ação perante Deus, portanto, é direta ou indiretamente uma violação a comunhão com Deus. Há uma incansável investigação por parte do inimigo, através de pessoas sem escrúpulos que levam o homem a prostituir ou adulterar interiormente.  Isso fica incubado e depois acaba dando a luz e gerando pecado, que uma vez concebido ocasiona morte.  A maioria dos meios de comunicação estão em mãos de pessoas ímpias que não se importam com a moral da família, porém querem e buscam lucros a qualquer custo. Na busca desse lucro não se intimidam em muitas vezes lançarem mão da pornografia, incitando até mesmo crianças, mas, com um “toque artístico” para que seja mascarada a verdadeira intenção].

SINOPSE DO TÓPICO (I)
A sexualidade humana é uma dádiva de Deus ao ser humano. Ela se manifesta na predisposição do indivíduo em vivê-la no parâmetro do casamento

II - AS CAUSAS DA INFIDELIDADE
1. Concupiscência. Um fato interessante salta aos olhos de quem lê os conselhos de Salomão contra a mulher adúltera em Provérbios: não há referência ao Diabo em suas advertências! O sábio não responsabiliza o anjo caído pelo fracasso moral dos homens, mas responsabiliza aquele a quem chama de “filho meu”. Somos agentes morais livres e temos a liberdade de escolher entre o bem ou o mal. Desejos bons e ruins são inerentes ao ser humano. Não os subestimemos! Por isso, o sábio aconselha: “Não cobices no teu coração a sua formosura, nem te prendas com os seus olhos” (Pv 6.25; cf. Gl 5.16). [Comentário:  Strong 08378: תאוהta’avah: significando desejo, vontade, anseios do coração de alguém; cobiça, apetite, concupiscência (no mau sentido); coisa desejada, objeto de desejo. O Talmude identifica o coração e os olhos como agentes do pecado. Permitir que sua mente se torne obsecada por pensamentos de luxúria é colocar-se, propositalmente, no caminho da tentação. O adultério pode ser considerado um tipo de suicídio. O homem ou a mulher que cai em relação adultera, seguindo a tolice ao invés da sabedoria, certamente sofrerá as consequências de seu ato. Sua alma será destruída (Pv 6.32; 7). Coração é um termo que abrange mente, emoções e vontade. A decisão é tomada no íntimo e externada por atos (Lc 6.43-45). A liberdade pode se transformar em libertinagem, mas o Espírito Santo nos permite dominar a concupiscência da carne quando nos submetemos continuamente ao seu poder e controle.].
2. Carências. Em Provérbios 5.15-17, o sábio lança mão de algumas metáforas para aconselhar como deve ser a vida íntima do casal. A frase “bebe a água da tua própria cisterna” mostra que o sexo não deve ser praticado apenas como um dever de um cônjuge para com o outro (1 Co 7.3), mas como algo prazeroso, assim como o é beber água! Se esse princípio não for observado, um dos cônjuges ficará com a sensação de que lhe falta alguma coisa! Desgraçadamente, muitos vão saciar-se noutra fonte (Pv 7.18), daí o desastre em muitas famílias. [Comentário:  Quanto a manter a pureza sexual, a mulher, igualmente como o homem, tem responsabilidade. A mulher cristã deve tomar cuidado para não se vestir de modo a atrair a atenção para o seu corpo e deste modo originar tentação no homem e instigar a concupiscência. Vestir-se com imodéstia é pecado (1Tm 2.9; 1Pe 3.2,3). É traçado um belo paralelo entre matar a sede com água limpa e fresca e a satisfação da sede sexual do casal com a intimidade sexual regular e estimulante no casamento. “Alegra-te com a mulher da tua mocidade” indica que o relacionamento sexual deve proporcionar grande prazer aos parceiros. A esposa é descrita como terna, atraente, amorosa e satisfatória. O ponto de vista de Deus quanto ao relacionamento sexual no casamento é o de uma parceira amorosa, inebriante, erótica e estimulante. Esse relacionamento é o meio mais eficiente de se prevenir contra a infidelidade].

SINOPSE DO TÓPICO (II)
A concupiscência e as carências não supridas na vida do ser humano são algumas das muitas causas da infidelidade conjugal

III - AS CONSEQUÊNCIAS DA INFIDELIDADE
1. Perda da comunhão familiar. Uma das primeiras consequências da infidelidade conjugal é a desonra da família. O sábio avisa que o “seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois fios” (Pv 5.4). Esse fim amargo respingará nas famílias envolvidas (Pv 6.33). O sentimento de vingança estará presente na consciência do cônjuge traído (Pv 6.34). Se pensássemos na mancha que a infidelidade conjugal produz teríamos mais cuidado quando lidássemos com o sexo oposto. A pergunta inevitável é: "Deus perdoa quem cometeu tal ato?” Não há dúvida que perdoa. Mas apesar do perdão divino, as consequências ficam (Pv 5.9-14). [Comentário: Em Provérbios, muitas passagens mostram a preocupação de seu autor para com a manutenção da fidelidade conjugal e dos princípios divinos estatuídos por Deus para a vida familiar, porquanto é a família o lugar primeiro onde devemos demonstrar nossa comunhão com Deus e a base de toda a convivência social do ser humano sobre a face da Terra. A mesma fidelidade que se exige no relacionamento entre Deus e o ser humano (Gn 2.16,17; 9.2-7; Ex 5.5-8; Dt 28; Mc 16.16) é igualmente necessária no relacionamento entre marido e mulher, vez que estão em comunhão de vida, devendo, assim, refletir no seu relacionamento a mesma unidade que se requer entre Deus e o homem (Jo 17.21)].
2. Perda da comunhão com Deus. É trágico quando alguém perde a comunhão familiar por conta de um relacionamento extraconjugal. Todavia, mais trágico ainda é perder a comunhão com Deus. Salomão sabia desse fato e por isso advertiu: “Mas não sabem que ali estão os mortos, que os seus convidados estão nas profundezas do inferno” (Pv 9.18). A palavra hebraica usada aqui para inferno é sheol, e esta designa o mundo dos mortos. De fato a expressão “ali estão os mortos”, no hebraico, significa: espíritos dos mortos ou região das sombras. O Novo Testamento alerta que os adúlteros ficarão de fora do Reino de Deus (1 Co 6.10). O que tudo isso quer dizer? Que essa é a consequência de quem cometeu esse pecado, mas não se arrependeu! Por isso, não flerte com a (o) adúltera (o). Seu caminho pode até parecer prazeroso, mas inevitavelmente o levará à morte (Pv 9.17,18). [Comentário:  Esta primeira parte dos Provérbios, a mais recente em sua redação, sempre adverte contra o adultério (2,16-19; 5,2-23; 6-24-7,27). O adultério aí é igualado (2,17) à ruptura da aliança com Deus (cf. também 5,15+); conduz ao Sheol (2.18;5.5-6; 7.26-27) - (Sheol, terra sem retorno, mundo (subterrâneo). Atony Hoekema citando George Eldon Ladd, sugere que o “Sheol é a maneira veterotestamentária de afirmar que a morte não acaba com a existência humana”. Na versão King James a palavra hebraica Sheol é traduzida diversamente como sepultura (31 vezes), inferno (31 vezes) ou cova (31 vezes). Porém, tanto na Versão American Standard como na Versão Revised Standard, Sheol não foi traduzida.). Nesses textos, somente uma vez se faz alusão à prostituição, que os antigos provérbios igualam ao adultério (cf. 23.27; 29.3; 31.3), com a advertência comum de que corrompe os reis e enfraquece os guerreiros.” (BÍBLIA DE JERUSALÉM, nota a, p.1024). O adultério é a demonstração de uma vida descompromissada com o Senhor, pois somente quem quebra a sua aliança com Deus é capaz de, também, quebrar a sua aliança com o seu cônjuge. O crente que cometer adultério, sofrerá aflição e desonra; além disso, seu opróbrio nunca desaparecerá. O adultério é um pecado grave e hediondo contra DEUS (2 Sm 12.9,10) e contra o cônjuge inocente que foi enganado; a vergonha e a infâmia daquele pecado permanecem com a parte culpada pela vida inteira. Embora a culpa do adultério possa ser perdoada mediante o arrependimento, seu opróbrio permanecerá e suas cicatrizes nunca serão totalmente removidas. Não é possível remediar completamente o dano feito (ver 2 Sm 12.10; 13.13,22; 1 Rs 15.5; Ne 13.26; Mt 1.6).  Por causa das consequências terríveis e a longo prazo que o adultério acarreta a todos que o praticam, devemos fugir de toda tentação e evitar qualquer relacionamento que possa levar a esse pecado. Devemos orar para que o Senhor nos livre dessa tentação (Mt 6.13) e lembrar-nos com sensatez, ao sermos tentados, das palavras das Escrituras: "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia" (1Co 10.2)].

SINOPSE DO TÓPICO (III)
Além de perder a comunhão da família, o cônjuge adúltero quebra a sua comunhão com Deus.

IV - CONSELHOS DE COMO SE PREVENIR CONTRA A INFIDELIDADE
1. Sexo com intimidade. A intimidade sexual (ou a falta dela) é um dos fatores que influenciam a vida conjugal. Há casais na igreja que tem relações sexuais com relativa frequência, mas sem intimidade! Há sexo na relação, mas não há amor nem intimidade! Observe o conselho de Salomão: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, como cerva amorosa e gazela graciosa; saciem-te os seus seios em todo o tempo; e pelo seu amor sê atraído perpetuamente. E por que, filho meu, andarias atraído pela estranha e abraçarias o seio da estrangeira?” (Pv 5.18-20). Há maridos que não demonstram o mínimo afeto à esposa e o oposto também é verdadeiro. Mas Deus criou o sexo para ser desfrutado com afeto, amor e intimidade. Do contrário, o relacionamento sexual não atenderá aos propósitos divinos e nem às expectativas do cônjuge. [Comentário: Esposas – sejam submissas. Esposos – Amem suas esposas. A falta de assistência de um dos cônjuges quando o outro está ferido pode ocasionar o adultério, por isso os cônjuges devem sempre estar dialogando um com o outro e procurando solução para os problemas que surgirem.
Os problemas conjugais devem ser tratados entre os cônjuges e só podem ser levados a outrem que seja de extrema confiança dos dois – no caso, o melhor é procurar ajuda do pastor e sua esposa. São funestas as consequências de um adultério, mas sempre o perdão deve estar à frente de qualquer outra atitude. O homem não é dono de seu corpo e nem a mulher de seu, portanto não podem ficar muito tempo sem o ato sexual. Muitos adultérios acontecem por falta de sexo entre os cônjuges. Existem maridos que passam até meses fora de casa em viagem de negócios ou outros afazeres. Muitos maridos passam anos dormindo no sofá, embora morando dentro da mesma casa que seu cônjuge (1Co 7.5). Casados devem tomar cuidado com elogios alheios (Pv 2.16,17 Pv 5.3; 6.24; 7.5, 21,23). Antes de viajar o cônjuge deve procurar por relacionamento sexual com seu cônjuge para que não sejam demasiadamente tentados (Pv 7.10-12); O amor entre os cônjuges deve ser mantido sempre aceso (Fp 1.9)].
2. Apego à Palavra de Deus e à disciplina. Como antídoto e forma de prevenção contra a infidelidade, Salomão aconselha o apego à Palavra de Deus e à disciplina. Para não cairmos na cilada da infidelidade conjugal, devemos guardar a instrução do Senhor, guardando-a em nosso coração. A Palavra do Senhor é luz que ilumina a nossa vida (Pv 6.20-24). O homem e a mulher só estarão livres do perigo da infidelidade conjugal quando a Palavra estiver impregnada em suas mentes e corações. Para isto, o crente deve meditar nela dia e noite. Por isso, seja disciplinado. [Comentário: Infidelidade conjugal, biblicamente falando, é o ato sexual entre uma pessoa casada e outra que não é o seu cônjuge. Na bíblia é geralmente denominado Adultério (heb Naaph; Gr moichos; moicheia: Jr 2.33; 7.9; 23.14; 29.23; Os 4.2; Ml 3.5; Lc 18.11; I Co 6.9; Hb 13.4). Moicheia é o termo usado para pecado físico do adultério (Mt 15.19; Mc 7.21; Jo 8.3; Gl 5.19). Adultério é palavra portuguesa derivada do latim adulterium se referindo ao dormir em cama alheia: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros DEUS os julgará” (Hb 13.4)].

SINOPSE DO TÓPICO (IV)
Um conselho importante para prevenir-se contra a infidelidade conjugal é apegar-se a Palavra de Deus, à disciplina e relacionar-se intimamente com o cônjuge.


CONCLUSÃO

A fidelidade conjugal é o que Deus idealizou aos seus filhos. Sabemos que a tentação é uma realidade, que vem acompanhada da natureza adâmica que herdamos, e ambas pressionam-nos a desprezar o santo ideal da fidelidade. Todavia, o Senhor deixou-nos a sua Palavra com dezenas de conselhos, a fim de prevenir-nos quanto ao abismo chamado adultério. [Comentário:  A imoralidade e a impureza sexual não somente incluem o ato sexual ilícito, mas também qualquer prática sexual com outra pessoa que não seja seu cônjuge. DEUS proíbe, explicitamente, “descobrir a nudez” ou “ver a nudez” de qualquer pessoa a não ser entre marido e mulher legalmente casados (Lv 18.6-30; 20.11,17, 19-21; ver 18.6). Depois do casamento, a vida íntima deve limitar-se ao cônjuge. A Bíblia cita a temperança como um aspecto do fruto do ESPÍRITO, no crente, isto é, a conduta positiva e pura, contrastando com tudo que representa prazer sexual imoral como libidinagem, fornicação, adultério e impureza. Nossa dedicação à vontade de DEUS, pela fé, abre o caminho para recebermos a bênção do domínio próprio: “temperança” (Gl 5.22-24). O crente pode cometer qualquer pecado que o homem conhece, mas se é realmente "nascido de novo", não poderá evitar o sentimento de culpa que lhe sobrevém da parte do ESPÍRITO SANTO (Jo 16.7-11). Por essa razão, Paulo desafia os cristãos a que andem segundo o ESPÍRITO e não segundo a carne (Gl 5.16-21). Se um crente abriga pensamentos impuros no coração durante algum tempo, fatalmente virá a praticar a ação. Foi por isso que CRISTO colocou em pé de igualdade os pensamentos impuros e o adultério (Mt 5.28). Nestes nossos dias de tanta tentação no plano sexual, é imprescindível que guardemos nossa mente.].
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco de Assis Barbosa

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lição 2- Advertência contra o adultério




INTRODUÇÃO

I. CONSELHOS SOBRE A SEXUALIDADE HUMANA
II. AS CAUSAS DA INFIDELIDADE
III. AS CONSEQUÊNCIAS DA INFIDELIDADE 
IV. CONSELHOS DE COMO SE PREVENIR CONTRA A INFIDELIDADE

CONCLUSÃO

O SEGREDO DO AMOR

Por

Debra White Smith

Já li e ouvi inúmeras pessoas que põem a culpa de todos os problemas do casamento e da manutenção do lar na falta de submissão da esposa.

Além disso, fico doente quando vejo mulheres saindo de conferências completamente convencidas de que são o problema principal de seus matrimônios. 

À primeira vista, uma visão tendenciosa da submissão pode parecer bíblica. As palavras soam como verdades sagradas. Afinal de contas, o Novo Testamento de fato diz que as esposas devem se submeter a seus maridos. No entanto, uma análise mais profunda mostra que esta visão polarizada da submissão acaba com a vitalidade do casamento, não deixando lugar para uma sexualidade sadia ou mesmo um pouquinho de romance sincero. 

Os problemas neste terreno escorregadio surgem quando os versículos-chave sobre submissão são tirados do seu contexto e analisados sem levar em conta todas as passagens que se referem ao casamento e aos relacionamentos em geral. Este método tem sido usado com frequência para justificar o rebaixamento, a dominação e a depreciação das mulheres, ignorando completamente vários versículos bíblicos importantíssimos...

E houve também entre eles contenda sobre qual deles parecia ser o maior. E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas não sereis vós assim; antes, o maior entre vós seja como o menor; e quem governa, como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós, sou como aquele que serve (Lc 22.24-27). 

Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros (Rm 12.3-5).

Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.3-8).

Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela [...]. Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo (Ef 5.25,28).   

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus (Ef 5.21).

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas (Mt 7.12). 

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará (1 Co 13.4-8).

À luz desses versículos, não há fundamento para se considerar um sexo mais responsável do que o outro, no que se refere à submissão. De acordo com H. Norman Wright, “um marido amoroso deseja dar tudo o que for necessário para preencher a vida da sua mulher. O seu amor está pronto a fazer qualquer sacrifício para o bem de sua amada. A responsabilidade primeira do homem é para com a sua mulher. O amor que sente por sua esposa o capacita a entregar-se por ela”. O dicionário Webster define submissão desta forma: “Oferecer por vontade própria”. Tiago escreveu: “... assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2.26b). O amor sem submissão também está morto.

A submissão é uma via de mão dupla. De acordo com o Dr. Stan Toler, “chegou o momento de termos uma visão equilibrada sobre submissão.

Nenhum casamento se manterá saudável sem altas doses de submissão, tanto do marido quanto da mulher”. 

Texto extraído da obra “Apaixonando-se Por Seu Marido: Desfrutando Juntos uma Vida Prazerosa”, editada pela CPAD. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

4º Trim 2013-Lição 1: O valor dos bons conselhos




Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Sabedoria de Deus para uma vida vitoriosa — A atualidade de Provérbios e Eclesiastes
Comentarista: José Gonçalves
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração e pesquisa para a Escola Dominical da Igreja de Cristo no Brasil, Campina Grande-PB; Postagem no Blog AUXÍLIO AO MESTRE: Francisco A Barbosa.

Lição 1: O valor dos bons conselhos
6 de outubro de 2013
Trimestre comemorativo ao quarto ano do Blog Auxílio ao Mestre

TEXTO ÁUREO
O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina” (Pv 1.7). [Comentário:  O versículo 7 de Provérbios define o tema do livro: o temor do Senhor, que é a maneira bíblica hebraica original de se referir à plena, alegre e amorosa submissão do ser humano ao seu criador e Pai - YAHWEH - a quem, como súditos celestes, devemos honra e cuja Palavra devemos obediência. Em contraposição, temos a figura do “insensato”, expressão cujo sentido mais amplo e dramático refere-se ao “louco”, não exatamente ao doente mental, mas especialmente ao “tolo”, aquele que diante da verdade e da vida prefere a mentira e a morte].

VERDADE PRÁTICA
Provérbios e Eclesiastes são verdadeiras pérolas da sabedoria divina para o nosso bom viver.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Provérbios 1.1-6.
1 - Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel.
2 - Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência;
3 - para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade;
4 - para dar aos simples prudência, e aos jovens conhecimento e bom siso;
5 - para o sábio ouvir e crescer em sabedoria, e o instruído adquirir sábios conselhos;
6 - para entender provérbios e sua interpretação, como também as palavras dos sábios e suas adivinhações.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
•          Conhecer o conceito geral dos livros de Provérbios e Eclesiastes.
•          Identificar as fontes da sabedoria dos sábios antigos.
•          Compreender o propósito da sabedoria ensinada em Provérbios e Eclesiastes.

PALAVRA-CHAVE
Sabedoria: Grande instrução; ciência, erudição, saber. (em grego Σοφία, "sofía") é o que detém o "sábio" (em grego σοφός, "sofós"). Desta palavra derivam várias outras, como por exemplo, φιλοσοφία -"amor à sabedoria" (filos/sofia).
COMENTÁRIO

introdução
[Comentário:  Caro leitor, entramos na reta final de 2013, e não poderia ser melhor do que estudar, neste último trimestre, a sabedoria divina para nós! Temos pela frente uma excelente oportunidade para fazer uma autoanálise e verificarmos se estamos crescendo na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo. Travaremos contato com parte da literatura sapiencial judaica e veremos o quanto eles são atuais e relevantes em seus ensinamentos. O comentarista deste trimestre é o pastor José Gonçalves, professor de Teologia, filósofo, escritor e vice-presidente da Comissão de Apologética da CGADB].Lembro-me dos ditados populares que ouvia dos meus pais: “Águas passadas não movem moinhos”; “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”; “Quem espera sempre alcança”, e muitos outros. Essas pequenas expressões contêm conselhos de uma cultura popular impregnada de valores éticos, morais e sociais, que acabam por dirigir as regras da vida em sociedade. Mais do que qualquer outra fonte, a Bíblia está recheada dessas pérolas. São bons conselhos que revelam a sabedoria divina. Tais máximas bíblicas são expressas em linguagem figurada, das mais variadas formas (parábolas, fábulas, enigmas e provérbios). Por isso, neste trimestre, conheceremos o que a Bíblia revela sobre os conselhos divinos contidos nos livros de Provérbios e Eclesiastes. Veremos ainda como esses conselhos se revelam na vida dos que temem ao Senhor.[Comentário:  São considerados livros da sabedoria três dos livros poéticos: Jó, Provérbios e Eclesiastes, embora Jó seja realmente um livro de espécie única. Essa classificação é baseada no fato de tratarem esses três livros dos problemas que mais interessam à humanidade. Jó trata do problema do sofrimento, Provérbios, do problema do dever moral, e Eclesiastes, do problema da felicidade. O livro de Provérbios não é apenas uma coleção de provérbios, mas uma coleção de coleções. Seu pensamento ou tema unificador é “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”(9.10), aparecendo de outra maneira como: “O temor do Senhor é o princípio (ou parte principal) da ciência”(1.7). Já o livro de Eclesiastes apresenta todos os indícios de ser um ensaio literário cuidadosamente composto que precisa ser compreendido em sua totalidade antes de poder ser entendido em parte. O sentido do livro é definido em 1.3 - “o que dá genuíno valor à existência? Tal fator pode ser encontrado na vida presente?” O pregador apresenta uma resposta esclarecedora e explica por que tudo é inútil: não há nenhum ganho, nenhum proveito, nenhum valor permanente para as pessoas a partir de seu trabalho nesta vida. Mergulhemos então nesta deliciosa jornada e vamos ouvir as palavras dos sábios!]. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I. JOIAS DA LITERATURA SAPIENCIAL
1. O livro de Provérbios. A Bíblia diz que Salomão compôs “três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco” (1Rs 4.32). O texto sagrado identifica Salomão como o principal autor do livro de Provérbios (Pv 1.1), mas não o único. O próprio Salomão exorta a que se ouça “as palavras dos sábios” (Pv 22.17), e declara fazer uso de alguns dos provérbios desses sábios anônimos (Pv 24.23) [Comentário:  aqui há uma outra coleção breve de provérbio dos sábios, similar em estilo aos grupos citados antes deste capítulo.]. O livro revela que havia alguns provérbios de Salomão que circulavam nos dias do rei Ezequias, e que posteriormente foram compilados pelos homens deste piedoso rei (Pv 25.1) [Comentário:  isso deve ter sido feito em cerca de 720 a.C., quando o escrito já tinha sobrevivido por mais de 200 anos, mas não há informações quanto à fonte ou história do documento a partir do qual esses escribas copiaram.]. Por último, o livro de Provérbios revela que Agur, filho de Jaque, de Massá, é o autor do capítulo 30 [Comentário:  A identidade de Agur é desconhecida, mas aparentemente, ele era um sábio bem conhecido; mas seu estilo, frequentemente diferente do restante do livro traz igualmente verdades com imagens fortes e vívidas.]. Já o capítulo 31 é atribuído ao rei Lemuel de Massá[Comentário:  A exemplo de Agur, não se conhece a identidade do rei Lemuel. Ele não aparece entre os reis de Judá e de Israel.]. O livro pertence ao gênero literário hebreu conhecido como sapiencial, isto é, literatura da sabedoria.[Comentário:  Provérbios, mashal; Strong 04912: Provérbio, parábola, aforismo, adágio; uma símile ou alegoria; uma lição com finalidade ou ilustração. Este substantivo vem do verbo mashal, “comparar, ser semelhante”. Com base no livro de Provérbios, Tem-se a impressão de que um provérbio é uma frase curta que contém uma verdade. Mas há evidencia no Antigo Testamento que mostram que o provérbio tem usos mais amplos. O longo discurso de Balaão recebe o nome de mashal (Nm 23.7-24.24). Em outras referencias, mashal indica um escárnio, um adágio, ou uma ilustração. E ainda em outras referencias indica uma pessoa ou uma nação da qual Deus faz um exemplo. Comparar 1Rs 9.7 com Sl 69.11. No primeiro versículo do livro há ma identificação imediata com o seu autor principal. No entanto, o significado não é que todos os provérbios são originalmente de Salomão (filho de David com Bate-Seba, que teria se tornado o terceiro rei de Israel, governando durante cerca de quarenta anos (segundo algumas cronologias bíblicas, de 1009 a 922 a.C.). Ele era, ao mesmo tempo, antologista e autor. Em 1Rs 4.32, lemos que ele “disse” três mil provérbios. Em Eclesiastes ele chama a si mesmo de “pregador” (Ec 1.1). Como tal, ele certamente colecionou e citou expressões úteis - assim como um pregador moderno poderia citar um poema ou usar uma metáfora. Os provérbios são de Salomão, não porque ele os colecionou e usou. Shlomô (em hebraico:שלמה), deriva da palavra Shalom, que significa "paz" e tem o significado de "Pacifico". Também chamado de Jedidias (em árabe سليمان Sulayman) pelo profeta Natã, nome que em hebraico significa "Amado de Jeová". (II Samuel 12:24, 25)].
2. O livro de Edesiastes. Eclesiastes, juntamente com Cantares, Jó, Salmos e Provérbios, também faz parte do gênero literário conhecido como “Literatura Sapiencial”. Sua autoria é atribuída a Salomão (Ec 1.1). Embora escrito pelo filho de Davi e pertença ao mesmo gênero literário, o livro de Eclesiastes possui um estilo diferente de Provérbios. Ele se apresenta como um discurso usado em assembleias ou templos. Alguns intérpretes acreditam que se trata de uma coletânea utilizada por Salomão em seus discursos. Ao contrário do que muitos pensam, o livro de Eclesiastes não expõe uma espécie de ceticismo ou desencanto existencial. Salomão faz um balanço da vida do ponto de vista de alguém que teve o privilégio de vivê-la com intensidade, mas que descobre ser ela totalmente vazia se não vivida em Deus. A própria sabedoria, tão celebrada nos Provérbios, quando posta a serviço de interesses pessoais e objetivos mesquinhos é tida como tola. [Comentário:  O nome Qohellet, ou Eclesiastes deriva do termo hebraico qahal, em grego ekklesia (assembleia) e significa “aquele que fala a uma assembleia”. O termo hebraico Qohellet, como aparece na Bíblia hebraica, que significa “o homem da assembleia” ou “aquele que convoca uma assembleia”, recebendo muitas vezes a tradução de “Professor” ou “Pregador” em outras versões da Bíblia, sugere que Cohellet possa ser uma pessoa ou um título; no caso, mestre ou orador (12.9-10). Creditado a Salomão (cerca de 971 a 931 a.C.), foi escrito em sua velhice - para muitos interpretes de Eclesiastes, a linhagem (1.1), o reinado em Jerusalém (1.12), a grande sabedoria (1.16) e a riqueza inigualável (2.4-9) do autor indicam que Eclesiastes foi escrito por Salomão, que se autodenominou o “Pregador”. Nesse livro, busca-se dar uma resposta à pergunta: que proveito tem o homem no trabalho e na sabedoria? Assim, o trabalho e a sabedoria constituem os dois temas principais. o início do livro enfatiza a função de Salomão como aquele que convoca a comunidade da aliança, a fim de testemunhar e de celebrar a glória do Rei dos céus, que enche seu templo terrestre (1Rs 8)].

SINOPSE DO TÓPICO (I)
Provérbios e Eclesiastes são livros de sabedoria judaica que revelam os desígnios eternos para a vida.

II. A SABEDORIA DOS ANTIGOS
1. A inteligência dos sábios. Já observamos que pelo menos duas referências do livro de Provérbios fazem citação das “Palavras dos Sábios” (Pv 22.17; 24.23). Mas quem são esses sábios? O texto não os identifica. Todavia, o Primeiro Livro dos Reis fala acerca de outros sábios, igualmente famosos, e como Salomão os sobrepujou em sabedoria (1Rs 4.29-31). [Comentário:  Salomão não foi o único autor dos provérbios, embora ele tenha escrito uma grande parte (cf. 1.1; 10.1; 25.1). O próprio Salomão declara: “... também estes são provérbios dos sábios” (Pv 24.23). Provavelmente signifique um número de homens sábios cujos provérbios são citados, embora o uso da primeira pessoa (vs 19-21) dê um toque pessoal. A introdução em primeira pessoa pode ser do próprio Salomão ou de qualquer um dos sábios citados. Não podemos negar que Salomão foi um dos homens mais sábios do seu tempo e que proferiu 3 mil provérbios (1Rs 4.32), todavia há outros autores das citações, como Agur (Pv 30.1) e o rei Lemuel (Pv 31.1). É importante também observar que seus autores pertenceram a épocas distintas. Etã e Hemã eram músicos e, como sugerido nos títulos dos Salmos 88 e 89, cada um deles escreveu um Salmo.].
2. A sabedoria de Salomão. O escritor americano Eugene Peterson mostra a singularidade da sabedoria salomônica em diferentes áreas da vida. Mais especificamente nos Provérbios, há uma amostra de como honrar os pais, criar os filhos, lidar com o dinheiro, conduzir a sexualidade, trabalhar e exercitar liderança, usar bem as palavras, tratar os amigos com gentileza, comer e beber saudavelmente, bem como cultivar emoções e atitudes em relação aos outros de modo pacífico. Peterson ainda mostra que o princípio da sabedoria salomônica destaca que o nosso modo de pensar e corresponder-nos com Deus reflete a prática cotidiana de nossa existência. Isto significa que nada, em nossa vida, precede a Deus. Sem Ele nada podemos fazer. [Comentário: Os provérbios têm a sua origem nos ditos populares. Todavia, os provérbios bíblicos são breves declarações que expressam os conselhos divinos para nós. Podemos afirmar que cada provérbio é uma parábola resumida e o livro todo é a Palavra de Deus. É Deus falando por intermédio das circunstâncias da vida. Expresso de várias maneiras, o temor do Senhor é o tema que se repete ao longo do livro como a chave, o meio, o segredo para se obter verdadeira sabedoria. Não é o terror diante de um tirano, mas o tipo de temor e respeito que levará à obediência a Ele, que é o mais sábio de todos. O propósito do livro é ensinar os leitores a viverem de forma justa, correta e ética. O objetivo é levar as pessoas a expressarem, no seu dia-a-dia, a sabedoria de Deus. Embora o livro também trate das questões corriqueiras da vida, ele é um convite à busca da sabedoria que vem do Alto, a sabedoria divina].

SINOPSE DO TÓPICO (II)
A sabedoria dos antigos, e particularmente a de Salomão, versava sobre diferentes áreas da vida humana.

III. AS FONTES DA SABEDORIA
1. A sabedoria popular. Os livros poéticos mostram, entre outras coisas como louvores e orações, muito da sabedoria do povo de Israel. Ciente dessa verdade, Salomão apresenta máximas populares para compor os seus Provérbios (Pv 22.17; 24.23). Podemos entender que Deus dá inteligência aos homens para que estes possam analisar as situações da vida e tirar delas conclusões que servirão para si mesmos e para outras pessoas, em forma de conselhos e advertências, como ocorre no livro de Provérbios.[Comentário:  Salomão apresenta uma seção com uma coletânea de ditos de sabedoria principalmente sob a forma de instruções (22.17-24.22). Há evidencias de que a primeira parte (22.17-23.11) aproveitou-se da sabedoria egípcia de Amenemope. Se este for o caso, esses discernimentos foram conscientemente apropriados como admoestações que ajudam a pessoa a sastifazer as obrigações da aliança de ter “confiança... no Senhor”(22.19). As tradições de sabedoria são compartilhadas por pessoas de diferentes culturas e religiões. Salomão discutia a sabedoria com pessoas provenientes de diversas nações (1Rs 4.29-34; 10.1-7), mostrando como certas características da sabedoria eram compartilhadas através de fronteiras nacionais e religiosas. O autor de Provérbios, tal como os historiadores da Bíblia, não foi impedido, em princípio, de usar os materiais existentes no processo de escrita daquilo que Deus inspirou].
2. A sabedoria divina. O texto bíblico destaca que Salomão “falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede; também falou dos animais, e das aves, e dos répteis, e dos peixes. E vinham de todos os povos a ouvir a sabedoria de Salomão e de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria” (1Rs 4.33,34). De onde vinha tanta sabedoria? O texto bíblico revela que Salomão orou pedindo a Deus sabedoria (1Rs 3.9), e que o Senhor respondeu-lhe integralmente (1Rs 3.10-14). Esta é a fonte da sabedoria de Salomão e explica o porquê de ninguém conseguir superá-la. [Comentário:  O hebraico hokmah (sabedoria) é encontrada repetidamente no livro de Provérbios. No Antigo Testamento, ela era usada para descrever a habilidade de artesãos, artistas e conselheiros (Êx 28.3; 31.3,6; 35.26; 36.1). A sabedoria de Salomão não tem comparação na história de Israel, evidenciada na pitoresca narrativa de 1Rs 3.16-28, numa vívida demonstração do dom de sabedoria que Deus tinha dado a Salomão, em cumprimento ao seu pedido feito em oração (1Rs 3.9-12). Salomão era um amante e incentivador da literatura de sabedoria e foi, pessoalmente, um autor produtivo. Também manifestou um interesse especial pela natureza. Ao escrever seus provérbios, Salomão ordenou as relações sociais; ao listar as questões da fauna e da flora, pôs em boa ordem os elementos do seu reino. Sua reputação transbordou as fronteiras do seu reino. Monarcas de várias nações enviavam emissários para aprender a erudição de Salomão. Os textos de Ebla, de cerca de 2350 a.C., mencionam homens letrados provenientes de muitas nações a fazerem “preleções” em Ebla, mostrando como essas viagens eram possíveis desde os tempos antigos (Ebla, uma  antiga cidade localizada no norte da Síria, a cerca de 55 km, a sudoeste de Alepo. Foi uma importante cidade-estado em dois períodos: em inícios do 3º milênio a.C., e novamente entre 1 800 a.C. e 1 650 a.C.].

SINOPSE DO TÓPICO (III)
A fonte de toda sabedoria do rei Salomão era o Senhor nosso Deus.

IV. O PROPÓSITO DA SABEDORIA
1. Valores éticos e morais. Na introdução do livro de Provérbios, encontramos um conjunto de valores éticos e morais que revelam o propósito desses conselhos. Ali, consta todo o objetivo proposto pelo livro: (1) Conhecer a sabedoria e a instrução; (2) entender as palavras da prudência; (3) receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade; (4) dar aos simples prudência e aos jovens conhecimento e sensatez; (5) ouvir e crescer em sabedoria; (6) adquirir sábios conselhos; (7) compreender provérbios e sua interpretação, bem como também as palavras dos sábios e suas metáforas (Pv 1.1-6). [Comentário:  O propósito do livro de Provérbios é guiar o leitor à sabedoria, vocábulo com muitas nuances. Está relacionado com o intelecto e com o controle do comportamento humano. É uma maneira de pensar sobre a realidade que capacita alguém a seguir o que é bom na vida. Através da sabedoria, Deus revela quais são os valores da vida e como podem ser alcançados.].
2. Valores espirituais. Além de apontar valores éticos e morais, ao afirmar que o “temor do Senhor é o princípio da ciência; [e que somente] os loucos desprezam a sabedoria e a instrução” (Pv 1.7), o cronista sacro abaliza os valores espirituais que sobressaem nas palavras de Provérbios. Da mesma forma, o livro de Eclesiastes aponta para Deus como a razão de toda a existência humana. Fora dele não há base segura para uma moral social. Os livros de Provérbios e Eclesiastes formam uma tessitura milenar no contexto religioso judaico que, adaptado à nossa realidade, apresentam conselhos práticos para a vida cotidiana de todos os homens. [Comentário:  O princípio controlador de Provérbios está afirmado no versículo 7: “O temor do Senhor”, e é uma antiga e decisiva contribuição israelita para a inquirição humana pelo conhecimento e pelo entendimento. O temor do Senhor é a única base do verdadeiro conhecimento. Esse temor não consiste num terror desconfiado de Deus, mas, antes, é a admiração reverente e a resposta em adoração da fé ao Deus que se revela como criador, Salvador e Juiz. Significa o ponto de partida do conhecimento com o seu princípio básico e normativo. Enquanto que na sua graça comum, Deus capacita os incrédulos a saberem muito sobre o mundo, somente o temor do Senhor capacita o homem a saber o que alguma coisa significa em última análise. Dependendo desse entendimento, a sabedoria persegue a tarefa de refletir sobre a experiência humana.].

SINOPSE DO TÓPICO (IV)
O propósito da sabedoria nos livros de Provérbios e Eclesiastes é constituir um conjunto de valores éticos, morais e espirituais para a vida.


CONCLUSÃO

A literatura sapiencial, representada neste trimestre pelos livros de Provérbios e Eclesiastes, revela que o temor do Senhor é o fundamento de todo o saber. Ninguém pode ser considerado sábio se os seus conselhos não revelarem princípios do saber divino. Segundo a Bíblia, um sábio não se caracteriza apenas por ter muita informação ou inteligência, mas é alguém que aprendeu o temor do Senhor como a base de toda sua vida e, por isso, sabe viver e conviver (Tg 3.13-18). [Comentário:  No mundo existem muitas pessoas inteligentes, há muitas mentes criativas que ajudam a melhorar nossa vida aqui. Os incrementos tecnológicos que nos permitem tantas facilidades são um exemplo disso; no entanto, considerando a sabedoria defendida pelas Escrituras, estas pessoas não podem ser consideradas sábias, se a base de seu pensamento não for o “temor do Senhor”. Esse fato fica evidenciado na leitura de Eclesiastes quando nos deparamos com o relato triste de um homem que, embora sábio, viveu parte da sua vida longe de Deus. O propósito é mostrar, e em especial aos jovens, que o sentido da vida não está nos bens materiais, no conhecimento, no prazer, na fama. O verdadeiro sentido da vida está em Deus, o Criador! Não que devamos negligenciar a sabedoria e conhecimento seculares, não devemos nos esquecer que nem tudo que o homem produz é totalmente mau e dissociado do Criador, porquanto Sua graça comum capacita o homem a adquirir e produzir conhecimento e sabedoria. Contudo, para nós que alcançamos uma tão grande salvação, só podemos considerar verdadeiramente sábio, alguém que aprendeu o temor do Senhor como a base de toda sua vida e, por isso, sabe viver e conviver (Tg 3.13-18)].
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco de Assis Barbosa