quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

4Trim2014_Lição 6: A peregrinação de Israel no deserto até o Sinai



1º Trimestre de 2014
Lição 6
A peregrinação de Israel no deserto até o Sinai
9 de fevereiro de 2014
TEXTO ÁUREO
“Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1Co 10.11)..
VERDADE PRÁTICA

Os erros e pecados de Israel servem-nos de alerta para que não venhamos a cometer os mesmos enganos.

HINOS SUGERIDOS

302, 467, 515.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - Rm 15.4
A Bíblia toda nos ensina
Terça - Hb 2.1-3
Vigiemos em todo o tempo
Quarta - Hb 12.1,2
O crente e a carreira cristã
Quinta - Rm 9.28
Deus cumpre fielmente a sua Palavra
Sexta - Cl 2.16,17
Sombras do Antigo Testamento
Sábado - Hb 13.17
Obediência em Cristo


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Êxodo 19.1-6; Números 11.1-3.
Êxodo 19
1 - Ao terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no mesmo dia, vieram ao deserto do Sinai.
2 - Tendo partido de Refidim, vieram ao deserto do Sinai e acamparam-se no deserto; Israel, pois, ali acampou-se defronte do monte.
3 - E subiu Moisés a Deus, e o SENHOR o chamou do monte, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel:
4 - Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim;
5 - agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha.
6 - E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.

Números 11
1 - E aconteceu que, queixando-se o povo, era mal aos ouvidos do SENHOR; porque o SENHOR ouviu-o, e a sua ira se acendeu, e o fogo do SENHOR ardeu entre eles e consumiu os que estavam na última parte do arraial.
2 - Então, o povo clamou a Moisés, e Moisés orou ao SENHOR, e o fogo se apagou.
3 - Pelo que chamou aquele lugar Taberá, porquanto o fogo do SENHOR se acendera entre eles.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Analisar a peregrinação de Israel pelo deserto;
  • Saber como foi a chegada e a permanência no monte Sinai, e
  • Conscientizar-se de que a idolatria é pecado.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave
Peregrinação: A jornada longa e exaustiva que os israelitas fizeram até chegarem a Terra Prometida.

Há muitos crentes que fazem a seguinte indagação: “Por que estudar as lições do Antigo Testamento, sendo nós cristãos da Nova Aliança?”. A resposta a esta pergunta se encontra na Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 10, versículos 1 a 12. Os fatos do Antigo Testamento são como figuras (1Co 10.6,11), nos alertando para que não venhamos a cometer os mesmos erros que o povo de Deus cometeu no passado. Então, estude com afinco cada lição deste trimestre e jamais siga os caminhos da desobediência, rebeldia e idolatria trilhados por Israel no deserto.
Na lição de hoje, estudaremos a caminhada do povo de Deus até o Sinai. Veremos como Deus guiou e sustentou seu povo que foi infiel, murmurador e idólatra. O Senhor permaneceu fiel e cuidando dos israelitas. [Comentário: A Bíblia é uma revelação progressiva. O Antigo Testamento é um espelho que permite que nos vejamos nas vidas dos seus personagens e nos ajuda a aprender de forma indireta com os seus exemplos. Explica tantas coisas sobre quem Deus é, as maravilhas que tem criado e a salvação que tem providenciado. Conforta aqueles que estão passando por perseguição ou problemas. Ao ler o Antigo Testamento, haverá muito que você não entende de imediato, mas haverá muito mais que você vai entender e aprender. Ao continuar estudando as suas páginas, pedindo a Deus que o ensine ainda mais, a sua escavação vai lhe recompensar com grandes tesouros! Hoje, entraremos em contato com a saga israelita através do deserto em direção ao Sinai. A peregrinação deles em direção à terra prometida, mostra-nos muito daquilo que é a nossa experiência cristã neste mundo. Depois da travessia do Mar Vermelho o povo de Deus foi conduzido ao deserto, lugar onde Deus iria ensiná-los á viver em sua dependência. Foi no deserto onde eles aprenderam depender unicamente do seu Deus; suas provisões, e os cuidados para com o seu povo. Esta é a figura que se aplica perfeitamente à Igreja Militante, visível.] Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I. ISRAEL PEREGRINA PELO DESERTO

1. Israel chega a Mara (Êx 15.23). O povo de Deus estava finalmente livre dos egípcios e começava sua caminhada pelo deserto a caminho de Canaã. Depois da travessia do Mar Vermelho os israelitas foram conduzidos por Moisés até o deserto de Sur. Eles andaram três dias pelo deserto e as águas que encontraram em Mara eram impróprias para beber. Descontente, o povo começou a murmurar contra Moisés. Na verdade eles não estavam reclamando de Moisés, mas de Deus (Êx 16.7,8). Muitos podem pensar que estão reclamando do seu líder, mas na verdade estão reclamando contra aquEle que delegou autoridade ao líder: Deus. A murmuração é uma característica negativa daqueles que não confiam no Senhor. Moisés confiava na providência do Pai. Então ele orou e Deus lhe mostrou um lenho. Moisés jogou o lenho nas águas e elas se tornaram boas para o consumo. Segundo o Comentário Bíblico Beacon, “assim como Deus curou as águas amargas de Mara, assim Ele curaria Israel satisfazendo-lhes as necessidades físicas e, mais importante que tudo, curando o povo de sua natureza corrompida”.
Israel era uma massa de gente briguenta e sem fé que precisava ser lapidada pelo Senhor para que se transformasse em uma nação santa. A lapidação veio com as provações rumo ao monte Sinai. [Comentário: Mara (em hebraico: מָרָה, cujo significado é "amargo") é um dos locais que a Torá identifica como tendo sido percorrida pelos israelitas, durante o Êxodo. Este foi provavelmente o 'Ain Hawarah, onde ainda existem várias nascentes de água que são muito "amargas", distantes cerca de 47 quilômetros de 'Ayun Mousa (Dicionário Bíblico Easton de 1897). Nós bem sabemos que há um paralelo perfeito entre a caminhada do povo de Israel até a Terra Prometida com a trajetória da Igreja, que caminha em um deserto (o mundo em qual vivemos) em direção a Terra Prometida. Da mesma forma que Israel passou por dificuldades, foi provado, passou por momentos difíceis e contaram com o recurso de Deus para a vitória, nós também (a Igreja) passamos em alguns momentos, por situações difíceis, mas sabendo sempre que podemos contar com o recurso de Deus (Jesus) para vencer as nossas lutas. O caminho de três dias nos fala profeticamente da morte e ressurreição do Senhor Jesus, a palavra do Senhor relata que justamente ao terceiro dia, quando o povo precisava saciar sua sede, precisava do descanso para continuar a caminhada, o Senhor orienta a Moisés que tomasse o lenho e jogasse sobre as águas, transformando a água amarga em doce, uma representação profética extraordinária que aponta justamente a amargura do pecado do homem que estava sobre Jesus quando tomou o nosso lugar na cruz do calvário, levando sobre si a amargura da morte, tão bem descrita pelo profeta Isaías, no capítulo 53, verso 4, quando diz que: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.” O lenho não tinha valor algum aos olhos da razão humana, era desprezível, mas trazia consigo um valor extraordinário quando olhamos para o aspecto profético bem descrito pelo Profeta Isaías, no verso 2, do capítulo 53: “… como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.” Era a figura profética do Senhor Jesus, que quando lançado nas águas transforma as águas amargas (morte) em águas doces (vida).].
2. Rumo ao Sinai (Êx 16.1). Depois de Mara os israelitas foram para Elim e em seguida para o deserto de Sim, que ficava entre Elim e Sinai (Êx 19.1,2). Esse é um lugar inóspito, repleto de areia e pedra, porém um local perfeito para Deus tratar do seu povo. Diante das dificuldades o povo volta a murmurar e quer mais uma vez retornar ao Egito (Êx 16.2,3). Mas Deus é bom e misericordioso. Ele mais uma vez supriu as necessidades do seu povo. Talvez você esteja sendo também provado pelo Senhor. Este é um momento difícil, mas em vez de murmurar adore ao Senhor. Você, assim como Israel, verá o sobrenatural de Deus em sua vida. No deserto de Sim, Deus envia o maná ao seu povo. O maná não foi um fenômeno natural, como alguns cogitam. Foi uma provisão especial de Deus. Esta provisão apontava para Jesus, o Pão Vivo que desceu do céu (Jo 6.31-35).
Deus sustentou seu povo através do deserto não somente com pão, mas também com carne e água. Em Refidim, Deus fez água jorrar da rocha (Êx 17.1-7). Ele é o nosso provedor (Sl 23.1). Tudo que temos vem do Senhor, por isso devemos ser gratos a Ele pela provisão. Depois de partir de Refidim, o povo, sob a orientação de Deus, caminhou até o monte Sinai, onde os israelitas receberam a lei do Senhor. [Comentário: Ao seguirem para Elim, que estava logo adiante, encontraram “doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto às águas” (Ex 15.27). Isto é, logo à frente, havia sombra e água fresca. A analogia aqui é clara: as águas de Mara se contrapõem às fontes de Elim. Enquanto as águas de Mara simbolizam amargura, descrença e murmuração, as águas de Elim simbolizam a provisão plena de Deus para o seu povo. A grande lição aqui é que tivesse Israel suportado a amargura das águas de Mara, logo estaria festejando em Elim. A pouca paciência de muitos crentes embota o fio aguçado da vitória alegre quando esta ocorre. Elim, como mencionamos de passagem no tópico anterior, fala de provisão plena de Deus. Se não, vejamos: eram doze fontes para doze tribos, ou seja, uma para cada tribo de Israel (COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 59-60). Todavia, o deserto tem os seus Elins bem como os seus Maras; as suas fontes e palmeiras, bem como as suas águas amargas. "Então, vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas (versículo 27). O Senhor graciosa e ternamente prepara verdes lugares no deserto para o Seu povo; e embora sejam, quanto muito, oásis, refrescam, todavia, o espírito e animam o coração. A permanência temporária em Elim era evidentemente calculada para tranquilizar os corações do povo e fazer cessar as suas murmurações. A sombra agradável das suas palmeiras e as águas refrescantes das suas fontes vieram muito a propósito, depois da provação de Mara, e realçam à nossa vista as virtudes preciosas daquele ministério espiritual que DEUS provê para o Seu povo no mundo. Os números "doze" e "setenta" estão intimamente ligados com o ministério. Mas Elim não era Canaã As fontes e as palmeiras eram apenas um antegozo desse país ditoso que estava situado para lá dos limites do deserto estéril, no qual os remidos acabavam de entrar. Davam refrigério, sem dúvida, mas era refrigério do deserto: era apenas momentâneo, destinado em graça, a animar os espíritos deprimidos e a dar-lhes vigor para a sua marcha para Canaã. Assim é, como sabemos, com o ministério na Igreja; é um suprimento gracioso para as nossas necessidades, destinado a refrescar, fortalecer e encorajar os nossos corações "até que todos cheguemos à medida da estatura completa de Cristo" (Ef 4:13) (C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé).].
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Os hebreus foram lapidados mediante as provações que tiveram que enfrentar no deserto.

II. ISRAEL NO MONTE SINAI

1. O monte Sinai (Êx 19.2). Este é um lugar especial para todo o povo de Deus. Ali Deus revelou-se de modo especial a Moisés e a Israel e lhe entregou os Dez Mandamentos. Ali os israelitas tiveram a revelação da glória e da santidade do Todo-Poderoso. Tiveram também a revelação da sua natureza, da sua lei, da expiação do pecado, da vontade divina e do seu culto. Todo o livro de Levítico, que trata do ministério e do culto ao Senhor, teve o seu desenrolar no acampamento do Sinai, ao pé do monte.
A distância do Sinai a Canaã é de quase 500 quilômetros, e seria percorrida em um curto prazo pelos israelitas, mas infelizmente levou 38 anos. A demora decorreu como parte do julgamento divino dos pecados de incredulidade, murmuração, rebelião e desvio dos israelitas (Dt 2.14,15). [Comentário: O Monte Sinai (também conhecido como Monte Horeb ou Jebel Musa, que significa “Monte de Moisés” em árabe) está situado no sul da península do Sinai, no Egito. Esta região é considerada sagrada por três religiões: cristianismo, judaísmo e islã. O significado da palavra Sinai é desconhecido, mas há diversas sugestões e possíveis derivações. Alguns supõem que quisesse dizer "espinhoso", a partir da palavra seneh (arbusto espinhoso), em referência aos muitos desfiladeiros e ravinas do monte que, com um pouco de imaginação, podem relembrar um conglomerado de arbustos espinhosos. Mas essa poderia ser uma referência ao deus lua Sin, cujo culto havia-se espalhado por toda a Arábia. Após Elim, o povo seguiu ainda mais ao sul, pelo Deserto de Sim (Ex 16.1), situado aos pés do planalto do Sinai. Ou seja, esse deserto ficava entre Elim e o Sinai, e foi onde os israelitas vivenciaram pela primeira vez o milagre do maná e onde se maravilharam com o milagre das codornizes (Êx 16.1-21). Como destacam as notas da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, “o Deserto de Sim era um ambiente vasto e hostil, no qual só havia areia e pedra. Esse espaço estéril proveu o lugar perfeito para Deus testar e formar o caráter do seu povo”, que era muito instável, inclinado ao erro, com mentalidade ainda do tempo de escravos do Egito e, não poucas vezes, se mostrando obstinados em seus erros. ].
2. A permanência no Sinai. No Sinai, Israel permaneceu, conforme as determinações do Senhor a Moisés, cerca de onze meses. Durante sua permanência ali, Israel caiu no abominável pecado da idolatria do bezerro de ouro (Êx 32.1-8,25). Com a idolatria veio a obscenidade, a imoralidade e a prostituição. Este horrível pecado de Israel é mencionado várias vezes através da Bíblia, sempre de modo infamante como em 1 Coríntios 10.7: “Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber e levantou-se para folgar”. Apesar de Israel ter falhado, o eterno propósito salvífico de Deus não falhou (Ef 3.11). [Comentário: Êx 19.2 O autor sacro oferece aqui uma pequena digressão a fim de lembrar-nos os movimentos de Israel após a partida de Refidim (Êx 17.1) para 0 Sinai. O Sinai foi um dos pontos de parada, onde Israel deveria permanecer por onze meses e seis dias. A identidade do monte aparece como lugar bem conhecido, ou, pelo menos, identificado com alguma precisão, quando Moisés escreveu o relato. Mas para nós a localização exata está perdida para sempre, embora haja um bom número de conjecturas. Foi ali, ou bem perto dali (em Horebe), que Moisés recebeu seu sinal e comissão originais (Êx 3.12). Fica entendido que YAHWEH se manifestava ali de maneira especial, tal como os gregos pensavam que o Olimpo era a residência de deuses. Assim, Moisés subiu ao monte cheio de expectativa, em busca de uma entrevista com o Senhor. O autor liga a cena da sarça ardente (cap. 3) com a cena deste capítulo. Chegara o momento de outra grande revelação(CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 383).].
SINOPSE DO TÓPICO (II)
O monte Sinai é um lugar especial para todo o povo de Deus. Ali, Deus revelou-se de modo especial a Moisés e a Israel e lhes entregou os Dez Mandamentos.

III. A IDOLATRIA DOS ISRAELITAS

1. O bezerro de ouro (Êx 32.2-6). Moisés e Josué subiram ao monte Sinai para se encontrar com o Senhor e receber dEle as tábuas da Lei. Ali eles ficaram muitos dias, e o povo, com pressa em saber notícias, começou mais uma vez a reclamar e a especular a causa da demora de Moisés e Josué. Não levou muito tempo para que uma grande confusão fosse formada. O povo, liderado por Arão, pecou deliberadamente contra o Senhor construindo um bezerro de ouro para ser adorado. Diversas passagens bíblicas relacionam o ídolo aos demônios, e o culto idólatra ao culto diabólico (Lv 17.7). Os ídolos sempre foram laços para o povo de Israel, a quem Deus elegeu como seu povo peculiar aqui na terra. [Comentário: Este incidente é conhecido em hebraico como Khet ha'Egel (חטא העגל) ou O pecado do bezerro e é descrito na Bíblia, no livro de Shemot (Êx 32.1-8) O bezerro de ouro também é referido em outra passagem da Bíblia, em 1Rs 12.28-32 quando o reino de Israel é dividido e o rei Jeroboão, que fica com uma parte do reino sem ser de descendência real, cria dois bezerros para o povo adorar, e esquecer do Deus da linhagem Real. Na linguagem corrente, a expressão "bezerro de ouro" tornou-se sinônimo de um falso ídolo, ou de um falso deus. Nós podemos ver na vida de Arão o que acontece quando alguém que foi liberto do mundo pelo poder de Deus escolhe não andar na presença Dele. Uma imagem incorreta; desenvolvida, formada, e mol­dada dentro de nossa própria alma ou imaginação. (Êx 32.1-4). Qualquer que tenha sido o pensamento de Arão, os israelitas não estavam pensando em YHWH de maneira alguma. Não lhes ocorriam os níveis elevados de adoração sem imagens, nem sequer de monoteísmo. Tal como mais tarde Israel viria a desejar um rei humano em lugar do invisível rei divino (1 Sm 8:4-8), assim desejavam aqui um deus que tivesse rosto, como todo mundo. Seu último desejo era ser diferente em seu novo relacionamento com DEUS: no entanto, esse era o propósito de Deus (19:5,6). Este Moisés, o homem que nos tirou do Egito. A frase é deliberadamente empregada para mostrar a aspereza deste povo escravo. Eles ainda não consideravam sua libertação algo realizado por Deus: era simplesmente algo que Moisés havia conseguido. Hoje, igualmente tem muitos cristãos que tem uma imagem completamente distorcida da pessoa de Deus: “Eles têm uma imagem teológica equivocada de um Deus completamente passivo”; são influenciado pelas aberrações neo-pentecostais atuais onde Deus deixa de ser Senhor, para ser apenas um ídolo.].
2. Cuidado com a idolatria. A Palavra de Deus em 1 João 5.21 nos adverte: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!”. O crente deve estar vigilante contra a idolatria. Muitos pensam que idolatria é somente adorar a imagens de escultura. Todavia, um ídolo é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus na vida humana. Alguma coisa tem ocupado o lugar do Senhor em seu coração? Peça a ajuda do Pai e livre-se imediatamente de toda idolatria. O apóstolo Paulo adverte a igreja de Corinto para não se envolver com a idolatria, como o povo de Israel no deserto (1Co 10.14,19-21). [Comentário: Essa palavra vem do grego, eldolon ídolo., e latreuein, «adorar». Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar a veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc., que tome o lugar de DEUS, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos. A idolatria é usualmente definida como a prática de adoração a ídolos, valores e ideias em oposição à adoração à Deus. A idolatria é considerada um dos maiores pecados nas religiões abraâmicas (Judaísmo, cristianismo e islamismo), de outro modo, em religiões onde esta atividade não é considerada como pecado. Somos sempre prontos a acusar alguns grupos cristãos de idolatria por adotarem o culto à imagem de escultura, à homens e mulheres de grande exemplo piedoso. Esquecemos que espectro é muito mais amplo e que, por fim, muitos de nós também acabamos nos tornando idólatras. Os teólogos têm alargado o conceito, para incluir aspectos não-religiosos da vida em geral, sem envolvimento de imagens especificamente. Por exemplo, o Catecismo da Igreja Católica afirma: "Idolatria não se refere apenas aos falsos cultos do paganismo. Idolatria também é quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, raça, prazer, antepassados, do Estado, dinheiro, etc.” No caso de Israel no Sinai, o povo ficou inquieto quando o líder visível permaneceu no monte durante os quarenta dias. A insatisfação a esse respeito levou os israelitas a se juntarem em grupo para fazer um pedido especial a Arão, em cujas mãos foram deixados. Levanta-te, disseram, faze-nos deuses que vão adiante de nós. A palavra deuses é normalmente traduzida por Deus. O pedido não significava necessariamente que estes indivíduos estivessem rejeitando Jeová; queriam uma forma visível entre eles que representasse Deus. Moisés, que fora como Deus para eles, desaparecera e a paciência para esperar a volta do líder acabara. A reação de Arão ao pedido sugere esforço em evitar a calamidade. Ao pedir que arrancassem os pendentes de ouro e lhos trouxesse, talvez Arão contasse com a recusa deles. Não é fácil mulheres e crianças abrirem mão de seus ornamentos, e essa resistência teria protelado o pedido que fizeram. Se Arão esperava oposição ao pedido, logo ficou desapontado, porque todo o povo arrancou os pendentes de ouro que estavam nas suas orelhas e lhos deu. O coração carnal não mede sacrifícios para satisfazer seus desejos pecaminosos. Levando em conta que Arão começara concordando com este pedido perverso, não havia mais como parar. Tomou os presentes de ouro e formou um deus para o povo. Na situação em que poderia ter se mostrado líder capaz, Arão falhou miseravelmente. A maioria das imagens antigas era feita de madeira e banhada a ouro. Este ídolo tinha forma de bezerro, ou touro de pouca idade, formato comum entre os egípcios, que representava fertilidade e força. Ou, como sugere Rawlinson, Arão retrocedeu aos “deuses [...] dalém do rio” (Js 24.14), encontrados na Babilônia, pensando que esta seria representação mais segura do Deus de Israel. Quando o bezerro ficou pronto, as pessoas disseram: Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito. Como é fácil o coração carnal se afastar da verdadeira adoração de Deus! Quando Arão notou a que ponto as pessoas estavam indo, parece que tentou controlá-las erigindo um altar diante da imagem e proclamando uma festa ao SENHOR. Talvez quisesse conservar alguma semelhança com a adoração de Deus mantendo o nome YAHWEH no festival. Este ato lembra os esforços de conservar uma forma de piedade sem ter seu poder (2 Tm 3.5) e o sincretismo que há em grande parte do cristianismo nominal. Qualquer que tenha sido a intenção de Arão, fracassou lamentavelmente em reter a adoração aceitável a Deus. O povo se entregou a um excesso emocional que o levou à idolatria e apostasia. Levantou-se de madrugada e assentou-se a comer e a beber; e depois a folgar.Embora comer e beber na adoração fizessem parte do plano de Deus, neste caso não havia adoração espiritual — somente a satisfação dos desejos pecaminosos da carne. “Deram rédeas às paixões no ‘folgar’, a subsequente dança orgíaca que quase sempre acompanhava os ritos idólatras. Ver também o versículo 25 e 1 Coríntios 10.6,7.” Atentemos para como identificarmos “Os Passos para a Apostasia”: 1) A impaciência com a providência de Deus; 2) O desejo de sinais visíveis na adoração; 3) A transigência com as verdadeiras formas de adoração; 4) A entrega a paixões carnais. (Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 224-225).].
3. A idolatria no coração. O profeta Ezequiel adverte-nos sobre isso em 14.2-4,7 do seu livro. O primeiro mandamento do Eterno em Êxodo 20.3, ordena: “Não terás outros deuses diante de mim”. Israel, antes de ser liberto e resgatado da escravidão do Egito, pecou contra o Senhor, adorando a falsos deuses (Is 24.2,15; Gn 35.2,4). Deus conhece o coração do homem e sabe da sua propensão à idolatria. Precisamos vigiar, pois somente Deus deve ser único dominador e rei em nosso coração.. [Comentário: No sentido mais amplo do termo “idolatria”, todos os homens, com bastante frequência, se não mesmo continuamente, são idólatras. Naturalmente, essa condição surge em muitos graus; e um dos principais propósitos da fé religiosa e do desenvolvimento espiritual é livrar-nos totalmente de todas as formas de idolatria. Paulo, em Colossenses 3.5, ensina-nos que a cobiça é uma forma de idolatria. Isso posto, qualquer desejo ardente, que faça sombra ao amor a Deus, envolve alguma idolatria. Assim, no Novo Testamento, qualquer coisa muito desejada, que suplante a comunhão com Deus ou a impeça, é considerada idolatria (1Co 10.14; Gl 5.20; Cl 3.5). A teologia moral cristã insiste em que qualquer desejo desordenado, que veja o objeto de tal desejo como a fonte última do bem e a base do bem-estar do individuo, é idolatria. O termo “Coração” nas páginas da Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, é o vocábulo mais completo para indicar todas as faculdades humanas, como os sentimentos (Rm 9.2), a vontade (1Co 4.5) e o intelecto (Rm 10.6), e assim apontado o homem interior, o homem essencial, aquela porção da personalidade humana que possui os meios naturais através dos quais todo o homem deveria elevar seu conhecimento de Deus a níveis mais altos, em gratidão. Todavia, é justamente o coração que se toma obscurecido. O «coração» pode ser o lar do Espírito Santo (Rm 5.5), ou a maldade pode dominar ali (Rm 1.24). A passagem de Mc 7.21, alista os vicias que podem proceder do homem interior, ali também chamado de -coração.].
SINOPSE DO TÓPICO (III)
Os israelitas, liderados por Arão, pecaram deliberadamente contra Deus ao fundirem o bezerro de ouro.

CONCLUSÃO
O Salmo 106 relata os tropeços de Israel a caminho de Canaã, e a sublime história da infinita misericórdia de Deus para com eles. Deus é fiel! Israel pecou e cometeu muitos erros, porém os planos do Senhor em relação a Israel e a toda humanidade não foram frustrados. Como crentes devemos repudiar toda forma de idolatria, entronizando a Deus como único Senhor em nossos corações e mentes. [Comentário: Romanos 1.21 descreve de forma abreviada como as faculdades naturais do homem, que lhe permitem vir a conhecer a Deus e a ter comunhão natural com ele, foram pervertidas, através de uma degeneração progressiva, mediante a rejeição proposital do conhecimento de Deus e da distorção da verdade, tudo o que faz parte do misterioso e primeiro deslocamento do homem para fora da harmonia original que ele desfrutava com Deus. O homem só tem razão quando pensa corretamente, e só pensa corretamente se está em harmonia com o Criador. Antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios (Rm 1.21). A palavra nulos, neste caso, significa «inúteis» «vãos", «vazios». A compreensão humana foi reduzida a trabalhar em um 'vácuo'. De certo modo se tomou fútil. O vocábulo vaidade, nos contextos judaicos e nos escritos de Paulo, diz respeito às práticas e tendências idólatras dos homens, os quais loucamente, em lugar do Deus vivo, colocam alguma outra coisa, usualmente uma imagem de escultura, feita por seus próprios dedos, ainda que isso também possa ser expresso na forma da adoração aos corpos celestes, em lugar de adoração ao próprio criador dos corpos celestes. A mente depravada começa por inventar ideias, por especular, por raciocinar, mas tudo com resultados negativos, pervertendo tão somente qualquer luz à verdade que porventura já possua. A verdade dos homens leva-os à perversão moral, conforme se vê tão patentemente hoje em dia. Os males, portanto, exercem um efeito cumulativo, e isso concorda com a experiência humana. Tudo isso esclarece por quais razões e como os homens são inescusáveis. Os próprios homens fizeram descer o dilúvio sobre eles, e isso deu inicio a um espírito de ingratidão. “A injustiça deles consiste nisso – imediatamente afogaram, por sua própria depravação, a semente do correto conhecimento, antes que esta pudesse amadurecer” (Calvino). “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco Barbosa
Cor mio tibi offero,
Domine,
prompte et sincere!

Recife-PE
Fevereiro de 2014.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A Travessia do Mar Vermelho - Rede Brasil de Comunicação


Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves

LIÇÃO 05 - A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO - 1º TRIMESTRE 2014
(Êx 14.15,19-26)
INTRODUÇÃO
Dentre os muitos milagres registrados nas páginas da Bíblia, a travessia do Mar Vermelho pelo povo de Israel ocupa um lugar de destaque, e é mencionado, tanto no Antigo como no Novo Testamento (Êx 14.15-31; 15.4; Sl 136.13-15; I Co 10.10.1; Hb 11.29). Nesta lição, veremos como se deu a saída dos filhos de Israel do Egito; como Deus guiou o povo pelo caminho; e como ocorreu a passagem pelo meio do mar.
I - A SAÍDA DOS FILHOS DE ISRAEL DO EGITO
Depois de quatrocentos e trinta anos de permanência no Egito (Êx 12.40,41), finalmente, chegou o dia da libertação, como veremos a seguir:
1.1 Faraó autorizou os hebreus saírem do Egito (Êx 12.31,32). Depois que o Egito foi afligido pelas dez pragas (Êx 7.19-12.30), o coração de Faraó foi quebrantado. Então, ele permitiu que os hebreus saíssem do Egito, sem lhes impor nenhuma condição; pelo contrário, pediu a bênção do Senhor para ele também (Êx 12.32b). Outrora, ele havia dito que os hebreus adorassem no Egito mesmo (Êx 8.25); que eles fossem somente até uma certa distância (Êx 8.28); que os filhos de Israel deixassem seus filhos no Egito (Êx 10.11); e que eles não levassem seus animais (Êx 10.24). Mas, depois da morte dos primogênitos, disse Faraó: “Levantai-vos, saí do meio do meu povo… Levai também convosco vossas ovelhas e vossas vacas” (Êx 12.31,32). Na verdade, os egípcios temiam que todos eles fossem mortos também (Êx 12.33).
1.2 Os hebreus despojaram o Egito (Êx 12.35,36). Depois de longos anos de trabalho forçado, e sem remuneração, Deus fez com que os hebreus fossem recompensados, como Ele havia prometido (Gn 15.14; Êx 3.21; 11.1,2). Quando eles estavam prestes a sair do Egito, pediram vestes, vasos de prata e vasos de ouro àqueles que lhes haviam escravizado.
Como os egípcios não tinham mais interesse que os hebreus permanecessem em suas terras, eles estavam dispostos a dar qualquer coisa, contanto que os os filhos de Israel saíssem apressadamente. Assim, eles entregaram seus bens, e Israel despojou o Egito (Êx 12.35,36). Os hebreus não só foram recompensados pelo seu árduo trabalho, mas, também, puderam ofertar voluntariamente para a construção do Tabernáculo, posteriormente (Êx 25.1-9).
1.3 Os israelitas não saíram sozinhos (Êx 12.37,38). Nesta ocasião, saíram do Egito cerca de 600 mil homens. Moisés especificou “Somente de homens, sem contar mulheres e crianças” (Êx 12.37). De acordo com (Nm 1.45,46) este número refere-se apenas aos homens de guerra, em idade de serviço militar. “Se levarmos em conta as mulheres, as crianças e o misto de gente (v. 38), ou seja, os que não eram descendentes de Abraão, então, havia uma multidão de pelo menos três milhões de pessoas” (CHAMPLIN 2001, p. 353). Essa “mistura de gente”, possivelmente eram escravos oriundos de outras nações, que aproveitaram a ocasião para escapar da opressão egípcia. Eles serviram de pedra de tropeço para os hebreus, e os incitaram a murmurar no deserto, quando não havia carne para comer (Nm 11.4-6).
II - DEUS GUIOU O POVO PELO CAMINHO
O livro do Êxodo registra não apenas a saída dos filhos de Israel do Egito, mas, também, o modo pelo qual Deus guiou o seu povo no caminho. Vejamos:
2.1 Deus guiou o povo pelo caminho mais distante (Êx 13.17). Como a rota mais curta atravessava o território dos filisteus, e era uma estrada militar utilizada pelos egípcios, Deus, em sua eterna sabedoria, guiou os hebreus por um caminho mais longo, porém mais seguro, para evitar que eles se deparassem com as guerras e quisessem voltar ao Egito.
Além de garantir-lhes segurança, o Senhor queria guiá-los até o Sinai, como Ele havia prometido a Moisés que ele O serviria naquele monte (Êx 3.12). Esta ação divina nos ensina que nem sempre o caminho mais curto é o melhor para nós; e, que os caminhos e pensamentos de Deus, nem sempre são os nossos (Is 55.8,9).
2.2 Moisés levou consigo os ossos de José (Êx 13.19). Antes de sua morte, José havia solicitado aos filhos de Israel que, quando Deus os visitasse, eles levassem os seus ossos do Egito para Canaã (Gn 50.25). E, centenas de anos depois, Moisés não se esqueceu de honrar essa petição do patriarca (Êx 13.19; Hb 11.22). Quando o povo herdou a terra de Canaã, os ossos de José foram enterrados em Siquém (Js 24.32).Simbolicamente, este evento representa a ressurreição dos justos, pois, nem mesmo os ossos dos salvos ficarão neste mundo. Quando o Senhor Jesus vier buscar a Sua Igreja, os corpos dos justos ressuscitarão e subirão, juntamente com os crentes arrebatados, para o encontro do Senhor nos ares, quando estaremos, para sempre, com o Senhor (I Co 15.51-54; I Ts 4.13,14).
2.3 O Senhor guiou o povo numa coluna de nuvem e de fogo (Êx 13.21,22). Para chegar em Canaã, o povo hebreu não necessitava apenas de direção, mas, também de proteção. Por isso, o Senhor guiou o povo, de dia numa coluna de nuvem, pra protegê-los do sol causticante; e, de noite, numa coluna de fogo, para aquecê-los. Sem elas, o povo não teria suportado o calor do deserto durante o dia e nem o frio à noite. Quando a nuvem parava, o povo acampava; e, quando ela se levantava e se movia, o povo caminhava (Êx 40.36-38; Nm 9.19-22). Essas colunas de nuvem e de fogo representam a presença de Deus no meio do povo (Dt 1.32,33), bem como a ação do Espírito Santo na vida do crente (Jo 16.13; Rm 8.14).
III - A PASSAGEM PELO MEIO DO MAR
Depois de saírem libertos do Egito, o povo de Israel caminhava com destino a terra prometida. Mas, o Senhor endureceu o coração de Faraó para que ele perseguisse os hebreus, com seus cavalos e cavaleiros (Êx 14.8). Então, os filhos de Israel se viram encurralados pelas montanhas, pelo mar e pelo exército do Egito. Mas, o que parecia o fim de uma história de libertação, tornou-se, na verdade, um dos milagres mais notórios da Bíblia (Êx 14.4; 14-18; ). Vejamos: 3.1 O Mar Vermelho. A tradução “Mar Vermelho” vem do grego: “erythra thalassa”, pois, o termo hebraico é “yam sup”, que quer dizer “mar de juncos”. “Hoje em dia, o Mar Vermelho tem cerca de dois mil quilômetros de extensão (incluindo, ao norte, os golfos de Aqaba e o canal de Suez). Sua largura varia entre 200 e 250 quilômetros. Sua profundidade média é de quase 500 metros, sendo que a mínima é de 180 metros e a máxima e de 2.500 metros. Além disso, o nome ‘mar de Juncos’ ou ‘bambuzal’ pressupõe água doce, e não salgada, a fim de que os juncos cresçam” (HAMILTOM, 2007, p. 196).
3.2 A travessia do mar. Vejamos como ocorreu este milagre:
  • Faraó arrependeu-se de haver deixado o povo sair do Egito (Êx 14.5);
  • O rei do Egito perseguiu os hebreus com seiscentos carros (Êx 14.6,7);
  • Quando os filhos de Israel viram os egípcios, temeram muito e clamaram ao Senhor (Êx 14.10);
  • Moisés exortou o povo a confiar no Senhor: “O Senhor pelejará por vós, e vos calareis” (Êx 14.13,14);
  • O Senhor ordenou que os filhos de Israel não parassem: “Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14.15);
  • Deus ordenou que Moisés levantasse a sua vara e estendesse sobre o mar (Êx 14.16);
  • O anjo de Deus que ia na frente do povo de Israel passou para a retaguarda (Êx 14.19);
  • A coluna de nuvem iluminava o caminho para os hebreus e escurecia para os egípcios (Êx 14.20);
  • Moisés estendeu sua mão sobre o mar para que as águas fossem partidas (Êx 14.21);
  • Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar e as águas eram como muro à sua direita e à esquerda (Êx 14.22);
  • O Senhor tirou as rodas dos carros dos egípcios, fazendo-os caminhar dificultosamente (Êx 14.24);
  • Os egípcios reconheceram que o Senhor pelejava pelo seu povo (Êx 14.25);
  • Deus ordenou que Moisés estendesse a sua mão sobre o mar para que as águas afogassem os egípcios (Êx 14.26);
  • O Senhor derrubou o exército egípcio no meio do mar e eles morreram afogados (Êx 14.27,28);
  • Israel creu no Senhor e em Moisés (Êx 14.30,31).
3.3 Moisés e o povo de Israel cantaram ao Senhor (Êx 15.1-22). Diante de tão grande livramento, ninguém poderia ficar calado. O cântico de Moisés é um hino de louvor e ações de graças a Deus por Sua majestade (Êx 15.1,2,11), por Seu poderio nas batalhas (Êx 15.3-12) e por Sua fidelidade ao seu povo (Êx 15.13-17). A primeira parte do cântico trata da vitória sobre os egípcios (Êx 15.1-12); e, a segunda, profetiza a conquista de Canaã (Êx 15.13-18). A Bíblia está repleta de cânticos de vitória, como o cântico de Ana (I Sm 2.1-11); de Débora (Jz 5.1-31); de Paulo (Rm 8.31-39); além de outros. Mas, o cântico de Moisés será cantado também no futuro pelos redimidos no céu (Ap 15.3,4).
CONCLUSÃO
A travessia do Mar Vermelho é um dos milagres mais extraordinários da Bíblia. Embora os céticos duvidem da autenticidade do milagre, explicando a passagem dos hebreus pelo meio do mar como um fenômeno natural, a Bíblia revela claramente que se trata de um fato real e sobrenatural. O caminho que o Senhor abriu no meio do mar serviu não só para a passagem dos filhos de Israel, mas, também, de armadilha para o exército egípcio. Deus permitiu que eles entrassem pelo meio do mar, mas não deixou que eles chegassem do outro lado, exercendo juízo sobre todos os males que os egípcios haviam causado ao povo hebreu. Assim, o Senhor salvou a Israel e puniu os egípcios.
REFERÊNCIAS
  • ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.
  • ALMEIDA, João Ferreira de. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
  • ANDRADE, Claudionor Correia de. Geografia Bíblica. CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Lição 04: A celebração da primeira Páscoa


Lições Bíblicas CPAD
Jovens e Adultos
Título: Uma jornada de fé — A formação do povo de Israel e sua herança espiritual
Comentarista: Antonio Gilberto
Elaboração e pesquisa para a Escola Dominical da Igreja de Cristo no Brasil, Campina Grande-PB;
Postagem no Blog AUXÍLIO AO MESTRE: Francisco A Barbosa.
1º Trimestre de 2014
Lição 4
A celebração da primeira Páscoa
26 de Janeiro de 2014
TEXTO ÁUREO
“[...] Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5.7b).
VERDADE PRÁTICA

Cristo é o nosso Cordeiro Pascal. Por meio do seu sacrifício expiatório fomos libertos da escravidão do pecado e da ira de Deus.

HINOS SUGERIDOS

244, 282, 289.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - Êx 12.5
Um cordeiro sem mácula deveria ser morto
Terça - Êx 12.7
Sangue foi aspergido nas portas
Quarta - Êx 12.29-33
Morte nas famílias egípcias
Quinta - Jo 1.29
O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo
Sexta - 1Jo 1.7
O sangue purificador do Cordeiro de Deus
Sábado - Hb 11.28
Pela fé, Moisés celebrou a Páscoa

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Êxodo 12.1-11.
1 - E falou o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:
2 - Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.
3 - Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada casa.
4 - Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; conforme o comer de cada um, fareis a conta para o cordeiro.
5 - O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras
6 - e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.
7 - E tomarão do sangue e pô-lo-ão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem.
8 - E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães asmos; com ervas amargosas a comerão.
9 - Não comereis dele nada cru, nem cozido em água, senão assado ao fogo; a cabeça com os pés e com a fressura.
10 - E nada dele deixareis até pela manhã; mas o que dele ficar até pela manhã, queimareis no fogo.
11 - Assim, pois, o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do SENHOR.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Analisar o significado da Páscoa para os israelitas, egípcios e para os cristãos.
  • Saber quais eram os elementos principais da Páscoa.
·       Conscientizar-se de que Cristo é a nossa Páscoa.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave
Páscoa: Uma das mais importantes festas do povo hebreu em que comemoravam a saída do Egito.

A Páscoa foi instituída pelo Senhor para que os israelitas celebrassem a noite em que Deus poupou da morte todos os primogênitos hebreus. É uma festa repleta de significados tanto para os judeus quanto para os cristãos. Os judeus deveriam comemorar a Páscoa no mês de Abib (corresponde à parte de março e parte de abril em nosso calendário), cujo significado são as “espigas verdes”. Hoje estudaremos a respeito desta festa sagrada e o seu significado para nós, cristãos. [Comentário: Êxodo 12 apresenta-nos uma história emocionante da Páscoa(Páscoa (do hebraico Pessach), significando passagem através do grego Πάσχα) ), a figura mais clara no Antigo Testamento da nossa salvação individual pela fé, no sangue vertido por nosso Senhor Jesus Cristo. Neste capítulo achamos a razão de chamar Cristo o Cordeiro de Deus, Cristo nossa Páscoa (1Co 5.7b). Da mesma forma como o capítulo sobre a Páscoa é o coração do livro, assim o livro todo é um modelo da nossa salvação. A Páscoa é o fato proeminente do Êxodo. Talvez os filhos de Israel não compreendessem a significação da celebração da Páscoa na noite anterior à saída do Egito, mas eles creram em Deus e obedeceram. Deus mandara dez pragas sobre o Egito, para que Faraó deixasse o povo sair. Cerca de nove meses se passaram e com cada praga o coração de Faraó mais se endurecia. Finalmente Deus disse que os primogênitos em todo o Egito iriam morrer. Isso teria acontecido aos hebreus também, se não tivessem sacrificado o cordeiro pascal e assim se tivessem protegido com o seu sangue redentor. (Êx 12.12, 13). Na saída do Egito, quando o povo hebreu recebeu a instrução para que matassem um cordeiro e passem seu sangue nos umbrais da porta, para que o anjo livrasse seus primogênitos da morte, temos aí a representação do que é a verdadeira Páscoa. Para nós, os cristãos, é o sangue de Jesus Cristo, o nosso Cordeiro Pascal, que nos purifica de todo pecado e nos livra da morte eterna.]. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!

I. A PÁSCOA

1. Para os egípcios. Para os egípcios a Páscoa significou o juízo divino final sobre o Egito, Faraó e todos os deuses cultuados ali. O Senhor havia enviado várias pragas e concedido tempo suficiente para que Faraó se rendesse, deixando o povo partir. Deus é misericordioso, longânimo e deseja que todos se salvem (2Pe 3.9b). Porém, Ele é também um juiz justo que se ira contra o pecado: “Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias” (Sl 7.11). O pecado, a idolatria e as injustiças sociais suscitam a ira do Pai. O povo hebreu estava sendo massacrado pelos egípcios e o Senhor queria libertá-lo. Restava uma última praga. Então o Senhor falou a Moisés: “À meia-noite eu sairei pelo meio do Egito; e todo primogênito na terra do Egito morrerá” (Êx 11.4,5). Foi uma noite pavorosa para os egípcios e inesquecível para os israelitas. [Comentário: Gostaria de mencionar algo curioso sobre o orgulho nacional egípcio. Para muitas pessoas, a ausência de evidências arqueológicas da estada dos israelitas no Egito traz certo desconforto. Mas note algo interessante: os egípcios dificilmente admitiam uma derrota. Por ocasião da famosa batalha de Kadesh (Síria), por volta de 1300 a.C., os egípcios a registraram como uma vitória. Por outro lado, seus oponentes hititas também deram-na como vencida! Ninguém sabe quem foi o vencedor da batalha de Kadesh. Sendo assim, dificilmente encontraremos um documento egípcio que mencione um grupo de escravos saindo da potência mais poderosa do mundo, naquela época, deixando-a totalmente arrasada por pragas enviadas por sua Divindade! Os egípcios não admitiam derrotas. Mesmo diante desse quadro, as poucas informações que temos sugerem um pano de fundo autêntico para o evento que deu origem a uma das principais festividades religiosas do judaísmo e do cristianismo (Luiz Gustavo Assis em http://www.arqueologia.criacionismo.com.br/2009/04/primeira-pascoa.html). O povo do Egito havia sido transtornado pelas seis primeiras pragas; sua terra e seus bens haviam sido devastados pelas duas pragas seguintes. A nona praga - três dias de escuridão - havia preparado o caminho para a mais terrível de todas as pragas, quando mensageiros da morte visitariam a terra. "Lançou contra eles o furor da sua ira: cólera, indignação e calamidade, legião de anjos portadores de males" (SI 78:49) (WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 256-257.). Na Páscoa as casas dos egípcios não poderiam proteger os seus primogênitos, pois o anjo da morte entraria em cada residência e executaria o mandado de Deus. Sem dúvida essa história poderia terminar de outra forma se Faraó deixasse ir o povo embora. Mas por causa da dureza de coração do rei, seus súditos pagaram um alto preço. Lembremo-nos de que Moisés tinha advertido a Faraó antes, deixando claro que o povo sairia com as crianças e o gado (Faraó não queria que isso acontecesse), e a última resposta do rei para Moisés, antes da Páscoa, foi: “Vai-te de mim e guarda-te que não mais vejas o meu rosto; porque, no dia em que vires o meu rosto, morrerás” (Êx 10.28). Por essa resposta, entendemos que Faraó deu por encerrado o diálogo com Moisés e com Deus, e assinou a ordem divina para a morte dos primogênitos. Ele não quis obedecer às ordens de Deus, e isso lhe custaria a vida do próprio filho (COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 35-36.)].
2. Para Israel. Era a saída, a passagem para a liberdade, para uma vida vitoriosa e abundante. Foi para isto que Cristo veio ao mundo, morreu e ressuscitou ao terceiro dia, para nos libertar do jugo do pecado e nos dar uma vida cristã abundante (Jo 10.10). Enquanto havia choro nas casas egípcias, nas casas dos judeus havia alegria e esperança. O Egito, a escravidão e Faraó ficariam para trás. Os israelitas teriam sua própria terra e não seriam escravos de ninguém. [Comentário: A Páscoa oferece um vasto campo para especulação por causa da grande variedade de características: mancha de sangue, saltos, “uma noite de vigia”, o cordeiro sacrificial, as primícias da cevada, a ceia sagrada, etc. Essas características se assemelham a rimais praticados fora de Israel. Não é de se admirar que os estudiosos a considerem uma festa enigmática. Alguns não consideram Êxodo 1-14 como um registro dos eventos, mas como uma lenda cúltica que tenta glorificar a saída do Egito (Pederson, Israel: Its Life and Culture, III-IV, 726ss.). A suposição repousa sobre um equívoco: o verdadeiro propósito da Páscoa era glorificar o Deus de Israel. Seria inútil esperar dados históricos fora dos próprios termos do escritor. No centro de Êxodo 1-14 está o Deus de Israel, que realiza feitos poderosos em favor do seu povo (cp. G. von Rad, The Problem of the Hexateuch [1965], 52). A história bíblica é escrita com um propósito, e o propósito é atestar os atos graciosos de Deus. Israel compreende sua liberdade como um milagre operado por YHWH que, com “poderosa mão e com braço estendido” levou seu povo para fora do Egito (Dt 26.8). Para compreender o significado da Páscoa deve-se procurar a interpretação bíblica; é inútil indagar qual era a festa nos tempos pré-mosaicos. É possível que a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos fossem festas agrícolas (cp. Êx 23.15s.). Alguma evidência da ligação cúltica entre a Páscoa e as primícias está preservada(Js 5.10-12; cp. C. W. Atkinson, AthR [Jan 1962], 82). A responsabilidade de explicar o significado da Páscoa estava sobre o pai da família: “Naquele mesmo dia contarás a teu filho, dizendo: E isto pelo que o Senhor me fez, quando saí do Egito” (Ex 13.8; cp. 12.26). Somente os israelitas e aqueles que, através da circuncisão, estavam unidos à comunidade podiam comer o cordeiro pascal. Estrangeiros e viajantes, i.e., estrangeiros residentes, eram excluídos (Ex 12.45), mas a regra não era aplicada aos estrangeiros circuncidados e viajantes que demonstrassem um real interesse em se identificar com Israel. A eles era permitido participar da celebração da Páscoa (Nm 9.14).].
3. Para nós. Como pecadores também estávamos destinados a experimentar a ira de Deus, mas Cristo, o nosso Cordeiro Pascal, morreu em nosso lugar e com o seu sangue nos redimiu dos nossos pecados (1Co 5.7). Para nós, cristãos, a Páscoa é a passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em Cristo. No Egito um cordeiro foi imolado para cada família. Na cruz morreu o Filho de Deus pelo mundo inteiro (Jo 3.16). [Comentário: Não é bastante que o cordeiro seja morto. O sangue era suficiente mas não tinha valor se não fosse aplicado. Todo israelita devia aplicar o sangue à sua própria casa. Observe que devia ser aspergido na verga. O que você fez com o sangue, o sangue do nosso Cordeiro Pascal, que morreu no Calvário? João 1.12. O hissopo, erva comum que qualquer pessoa podia conseguir, era um tipo da fé. O sangue na verga era o que salvava. Não o que eles pensavam ou achavam, mas o que eles faziam é que importava. “Quando eu vir o sangue, passarei por vós” (Êx 12.13) - Não é o sangue na bacia que salva a alma, mas o sangue aplicado (Jo 1.29b). A atividade messiânica de Jesus alcança seu clímax nos eventos de sua Ultima Páscoa. De acordo com João, a crucificação aconteceu no primeiro dia da “Páscoa” (usado aqui aparentemente como uma designação da Festa dos Pães Asmos). Os sinópticos deixam claro que foi no primeiro dia da festa. João que parece estar interessado especialmente em dados cronológicos registra duas, ou até mesmo três Páscoas (João 2.13; 6.4; 12.1; cp. W. F. Howard, The Fourth Gospel, revisado por C. K. Banet [1955], 122). Contrário a C. H. Dodd (The Interpreter of the Fourth Gospel [1953], 234), há um bom motivo para se acreditar que João dedicou importância especial ao tema da Páscoa. Seu evangelho, que enfatiza ser o Messias o verdadeiro pão da vida, se ajusta notavelmente bem ao contexto pascal (cp. Jo 6.3 lss. cp. V. Ruland, INT [Out., 1964], 451 ss.). Hoje podemos afirmar que Cristo é a nossa Páscoa (1Co 5.7b). Assim como Israel não poderia se esquecer de tal celebração, nós também jamais poderemos nos esquecer do sacrifício remidor do nosso Redentor, Jesus Cristo. Jamais se esqueça que Cristo morreu em seu lugar. Este é um dos princípios da Ceia do Senhor. Jesus declarou: “Em memória de mim” (1Co 11.24,25). Todas as vezes que participarmos da Ceia temos que recordar da nossa passagem, da escravidão do pecado, para uma nova vida em Cristo (1Co 5.17). Israel foi salvo da ira divina e liberto do pecado. Nós também estávamos destinados a experimentarmos da ira divina, mas Cristo, o Cordeiro Pascal, nos substituiu na cruz do calvário. Em Cristo fomos redimidos dos nossos pecados. O sangue de um cordeiro foi aspergido nos umbrais das portas das casas, pois sabemos que “sem derramamento de sangue não há remissão de pecado” (Hb 9.2)].
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Para nós cristãos a Páscoa é a passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em Cristo.

II. OS ELEMENTOS DA PÁSCOA

1. O pão. Deveria ser assado sem fermento, pois não havia tempo para que o pão pudesse crescer (Êx 12.8,11,34-36). A saída do Egito deveria ser rápida. A falta de fermento também representa a purificação, a libertação do fermento do mundo. Em o Novo Testamento vemos que Jesus utilizou o fermento para ilustrar o falso ensino dos fariseus (Mt 16.6, 11,12; Lc 12.1; Mc 8.15). O pão também simboliza vida. Jesus se identificou aos seus discípulos como “o pão da vida” (Jo 6.35). Toda vez que o pão é partido na celebração da Ceia do Senhor, traz à nossa memória o sacrifício vicário de Cristo, através do qual Ele entregou a sua vida em resgate da humanidade caída e escravizada pelo Diabo. [Comentário: O pão apontava para Jesus o Pão da Vida: “eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome” (Jo 6.35). A massa não deveria passar pelo processo de fermentação, ou seja, seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta, sem ter de esperar para crescer. A ideia era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos, pois logo sairiam para uma grande jornada. E evidente que o uso do fermento poderia fazer com que a massa dobrasse seu tamanho e alimentasse mais pessoas, mas a orientação divina indicava a pressa com que os judeus iriam comer para saírem logo do Egito (COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 40). Deveria ser asmo, sem fermento. “Sonda-me. . . vê se há em mim algum caminho mau” (Sl 139.23,24). Fermento é sempre um tipo de pecado. O fermento dos fariseus (Mt 16.6). Lançai fora o velho fermento (1Co 5.7). O fermento da injustiça precisa ser eliminado da nossa vida, se desejamos comer com Deus.].
2. As ervas amargas (Êx 12.8). Simbolizavam toda a amargura e aflição enfrentadas no cativeiro. Foram 430 anos de opressão, dor, angústia, quando os hebreus eram cativos do Egito. [Comentário: As ervas amargas. Apontavam para toda a amargura e aflição vividos no cativeiro egípcio. No hebraico, merorim “amargores”, palavra usada apenas por três vezes no Antigo Testamento (Êx 12.8; Nm 9.11 e Lm 3.15). O hebraico diz apenas «amargores», uma palavra de uso geral (hoje não sabemos quais ervas poderiam estar em foco). Alguns têm pensado em verduras como a chicória, a alface, a acelga, a azeda, etc. Alguns pensam no agrião. Nos tempos modernos, os judeus empregam a escarola e outras verduras, em um total de cinco espécies, para conseguirem uma salada amargosa. Alguns intérpretes supõem que, nos livros de Êxodo e Números, as ervas amargas eram apenas a hortelã. Uso de Ervas na Páscoa. Nas Escrituras o amargor simboliza aflição, miséria e servidão (Ex 1.14; Rt 1.20; Pv 5.4), a iniquidade (Jr 4.18) e também o luto e a tristeza (Am 8.10). Em face desses significados simbólicos, os israelitas receberam ordens para celebrar a páscoa utilizando-se de ervas amargas para relembrarem a amarga escravidão que haviam sofrido no Egito (Êx 12.8; Nm 9.11). (CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 431-432.). Trariam à lembrança os tempos amargos da escravidão no Egito. Cristo provou o cálice amargo por nós, e nós também sofremos alguma amargura. Toda disciplina no momento não parece ser motivo de alegria (Hb 12.11). Por causa da leviandade dos nossos corações é bom compreendermos a profunda significação das ervas amargosas. Quem poderá ler os Salmos 6,22,38,69,88, e 109, sem compreender, em alguma medida, o significado dos pães asmos com ervas amargosas1?- Uma vida praticamente santa, unida a uma profunda submissão de alma, deve ser o fruto da comunhão verdadeira com os sofrimentos de CRISTO, porque é de todo impossível que o mal moral e a leviandade de espírito possam subsistir na presença desses sofrimentos.( C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.)].
3. O cordeiro (Êx 12.3-7). Um cordeiro sem defeito deveria ser morto e o sangue derramado nos umbrais das portas das casas. O sangue era uma proteção e um símbolo da obediência. A desobediência seria paga com a morte. O cordeiro da Páscoa judaica era uma representação do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). O sangue de Cristo foi vertido na cruz para redimir todos os filhos de Adão (1Pe 1.18,19). Aquele sangue que foi derramado no Egito, e aspergido nos umbrais das portas, aponta para o sangue de Cristo que foi oferecido por Ele como sacrifício expiatório para nos redimir dos nossos pecados. [Comentário:Um cordeiro sem mácula. Apontava para Jesus, “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Cristo é o nosso Cordeiro Pascal. Ele morreu para trazer a redenção a toda humanidade. Ele é o nosso Redentor. Depois que o sangue era vertido e aspergido, vinha a orientação sobre o modo de comer o cordeiro. Assim acontece conosco. A salvação primeiro, depois o alimento – comunhão, adoração, vida cristã e serviço. “...Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1Co 5.7). No seu contexto, essa declaração tem um sentido moral. Deveríamos desvencilhar-nos de todos os elementos estranhos à espiritualidade, visto que Cristo fez o seu grande e eterno sacrifício, que é o agente de nossa purificação moral. Cumpre-nos abandonar nossa velha maneira de viver. (CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 102)].
SINOPSE DO TÓPICO (II)
Os três elementos da Páscoa eram: o pão, as ervas amargas e o cordeiro sem mácula.

III. CRISTO, NOSSA PÁSCOA

1. Jesus, o Pão da Vida (Jo 6.35,48,51). Comemos pão para saciar a nossa fome, porém, a fome da salvação da nossa alma somente pode ser saciada por Jesus. Certa vez, Ele afirmou: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome” (Jo 6.35). Apenas Ele pode saciar a necessidade espiritual da humanidade. Nada pode substituí-lo. Necessitamos deste pão divino diariamente. Sem Ele não é possível a nossa reconciliação com Deus (2Co 5.19). [Comentário: Jesus, o Pão da Vida (Jo 6.35,48,51). Um pão pode ter mais de um sabor. Pode ter mais de uma forma. Pode ser feito com diversos ingredientes. Pode ser barato ou caro. Pode ser mais leve ou mais pesado. Mas sua função mais importante é saciar a fome. É para isso que eles são feitos. Por que Cristo é considerado o pão da vida? Porque Ele mesmo disse isso: “Eu sou o pão da vida; (“aquele que vem a mim não terá fome” (Jo 6.35). Ele promete saciar a necessidade humana no que concerne às questões da vida e à relação com Deus, ao perdão dos pecados e à vida eterna. A fome que temos de Deus é saciada em Cristo Jesus. (COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 41-42). A fim de ilustrar a natureza da pessoa de Cristo, bem como a sua relação para com o mundo, mais do que os outros evangelistas, o apóstolo João se utiliza de termos simbólicos. Ê João quem chama o Senhor Jesus de «a Luz», «a, Água», «o Pão», «o Pastor» e «a Porta». E embora o evangelho de João não lance mão da expressão especifica, «Este é o meu corpo» (em que Cristo se referiu ao pão da Ceia) contudo, no sexto capitulo do mesmo é óbvio que uma terminologia assim seria perfeitamente apropriada (ver João 6:54,55). Todavia, esse pão (que simboliza o corpo) é declarado como algo que desceu do céu (ver João 6:32,58), o que mostra que, antes de tudo, não está em vista alguma alusão ao corpo físico de JESUS; antes, ele se refere a um tipo celestial de «pão», a um principio espiritual, a uma comunicação e participação mística na vida divina, o que, na realidade, é um conceito transcendental, e não uma ideia sacramental (CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 43-44.)].
2. O sangue de Cristo (1Co 5.7; Rm 5.8,9). No Egito, o sangue do cordeiro morto só protegeu os hebreus, mas o sangue de Jesus derramado na cruz proveu a salvação não apenas dos judeus, mas também dos gentios. O cordeiro pascal substituía o primogênito. O sacrifício de Cristo substituiu a humanidade desviada de Deus (Rm 3.12,23). Fomos redimidos por seu sangue e salvos da morte eterna pela graça de Deus em seu Cordeiro Pascal, Jesus Cristo.[Comentário: o vocábulo grego aima, «sangue», além de referir-se à morte sacrifical de Cristo, indica as ideias de reinado (João 1.13); da natureza humana (Mt 16.17; 1Co 15.50); de morte violenta (vinte e cinco trechos diferentes); e de animais sacrificados (doze referências, como se vê em Hb 9.7,12 etc.) onde se enfatiza a perda da vida das vítimas, um conceito destacado no Antigo Testamento. Quanto ao sangue de Cristo e o valor expiatório do mesmo, há referências como Colossenses 1.20. Os intérpretes têm debatido se é a morte ou a vida perdida do animal que obtém a expiação. Penso que se trata de ambas as coisas, pois, afinal de contas, é a vida de Cristo que nos salva (Rm 5.7) dando a entender a sua ressurreição e ascensão, em virtude do que ele tornou-se o Salvador medianeiro permanente. Aquele mesmo contexto, no nono versículo, afirma que o seu sangue nos justifica, o que nos fez pensar tanto em sua vida como em sua morte e ressurreição. A vida que Jesus viveu também faz parte de nossa inquirição espiritual, com vistas a nossa salvação final; porque, quando procuramos imitar a vida de Cristo, passamos a compartilhar de sua natureza metafísica, mediante operações do Espirito Santo (2Co 3.18). Como é que alguns teólogos separam essas ideias inseparáveis, como se fossem categorias distintas e valores isolados? Dentro do programa a e salvação a vida e a morte de Jesus são fatores inseparáveis, embora em sentidos diferentes (Werner de Boor. Comentário Esperança 1 Cartas aos Coríntios. Editora Evangélica Esperança. O Imperativo Espiritual (5.7a)).].
3. A Santa Ceia. A Ceia do Senhor não é um mero símbolo; é um memorial da morte redentora de Cristo por nós e um alerta quanto à sua vinda: “Em memória de mim” (1Co 11.24,25). É um memorial da morte do Cordeiro de Deus em nosso lugar. O crente deve se assentar à mesa do Senhor com reverência, discernimento, temor de Deus e humildade, pois está diante do sublime memorial da paixão e morte do Senhor Jesus Cristo em nosso favor. Caso contrário, se tornará réu diante de Deus (1Co 11.27-32). [Comentário: A tradição que Paulo recebeu e registrou pertence ao mais primitivo registro do que aconteceu na noite em que Jesus foi traído (1Co 11.23-26). Este registro afirma que foi à noite que houve uma refeição (Seutvov), que Jesus tomou o pão, o partiu e disse, “Isto é o meu corpo, que é dado [partido] por vós; fazei isto em memória de mim”. O mesmo com o cálice: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.” Não há menção da Páscoa no registro de Paulo, exceto de uma forma circunstancial: o partir do pão de forma solene, o beber do vinho no cálice, a referência à aliança. O registro sinótico não se diferencia em essência do comentário paulino, exceto por ser apresentado como uma ceia pascal ( Mt 26.17; Mc 14.12; Lc 22.7).].
SINOPSE DO TÓPICO (III)
A Ceia do Senhor é um memorial da morte redentora de Cristo por nós e um alerta quanto à sua vinda.

CONCLUSÃO
Deus queria que o seu povo Israel nunca se esquecesse da Páscoa, por isso a data foi santificada. A Páscoa era uma oportunidade para os israelitas descansarem, festejarem e adorarem a Deus por tão grande livramento, que foi a sua libertação e saída do Egito. Hoje o nosso Cordeiro Pascal é Cristo. Ele morreu para trazer redenção aos judeus e gentios. Cristo nos livrou da escravidão do pecado e sua condenação eterna. Exaltemos ao Senhor diariamente por tão grande salvação. [Comentário: A Páscoa é o começo da jornada que o Messias completa ao alcançar sua meta. “Salvação eterna” significa que não pode haver outra salvação após o evento messiânico, que é o definitivo. A aliança eterna que Deus prometeu aos pais (Jr 32.40; 50.5; cp. Is 55.3; Ez 16.60) foi agora estabelecida e selada no sangue do Messias (Hb 13.20). Em Hebreus a dissolução do culto, a mudança do sacerdócio e a remoção da lei são as consequências do evento messiânico. Cristo se tomou o caminho vivo para o interior do santuário, o novo Sumo Sacerdote que, por seu sacrifício, tornou possível ao homem aproximar-se da presença do próprio Deus. É como costumo me despedir em cada lição: “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,

Graça e Paz a todos que estão em Cristo!

Francisco Barbosa
Cor mio tibi offero,
Domine,
prompte et sincere!

Recife-PE
Janeiro de 2014.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

COHEN, A. C. Êxodo. 1 ed., RJ: CPAD, 1998.
RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 1 ed., RJ: CPAD, 2005.

EXERCÍCIOS

1. O que significou a Páscoa para os egípcios?
R. Para os egípcios a Páscoa significou o juízo divino final sobre o Egito, Faraó e todos os falsos deuses cultuados ali.
2. Qual o significado da Páscoa para Israel?
R. Era a saída, a passagem para a liberdade, para uma vida vitoriosa e abundante.
3. Qual o significado da Páscoa para os cristãos?
R. Para nós cristãos a Páscoa é a passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em Cristo.
4. Quais os elementos da primeira Páscoa?
R. Pães asmos, ervas amargas e cordeiro.
5. Por que Cristo é a nossa Páscoa?
R. Porque Ele morreu em nosso lugar para nos redimir de nossos pecados. Cristo nos livrou da escravidão do pecado e sua condenação eterna.
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
-. Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2014 - CPAD - Jovens e Adultos;
-. Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital);
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Defesa da Fé: Questões reais; Respostas precisas; Fé Solidificada. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.